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Assembleia Geral da ONU deve expor contrastes entre Lula e Trump

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve adotar um discurso centrado na soberania nacional, no multilateralismo e na defesa de uma ordem internacional baseada em regras na abertura da Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (23).

Os posicionamentos serão um contraponto ao que o presidente americano Donald Trump deve pronunciar ao subir ao mesmo púlpito sob os olhares do mundo todo.

Desde 1955, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral, tradição considerada pelo Secretariado da ONU como “prática estabelecida”.

De acordo com fontes do governo, Lula deve enfatizar três tópicos principais: a defesa da soberania nacional e a rejeição a medidas coercitivas unilaterais; o fortalecimento da cooperação multilateral e a busca de soluções diplomáticas para conflitos, com foco na crise humanitária em Gaza.

A expectativa é que o presidente use o palco da ONU para se diferenciar do discurso unilateralista de Trump e reforce sua posição como líder do Sul Global.

A volta de Trump ao púlpito da ONU é um dos grandes focos da assembleia deste ano, em um momento em que as guerras em Gaza e na Ucrânia expõem a paralisia do Conselho de Segurança e a incapacidade dos principais líderes internacionais de mediar crises.

O republicano retorna ao palco com o mesmo ceticismo sobre o multilateralismo que marcou seu primeiro mandato.

Trump cortou verbas para organismos da ONU, retirou os EUA de conselhos e acordos internacionais e mantém uma política de redução drástica da ajuda externa, o que agravou o caos humanitário em várias regiões, segundo organizações de direitos humanos.

Nesse cenário, Lula deve se posicionar como uma liderança do Sul Global. Enquanto Trump tende a reforçar o nacionalismo do “America First” e a defender que cada país aja isoladamente, o presidente brasileiro deve insistir que os grandes desafios atuais – da guerra em Gaza e o seu risco de fome generalizada à desigualdade social e às mudanças climáticas – só podem ser enfrentados coletivamente.

São embates já conhecidos entre líderes progressistas e Donald Trump.

Mas o ingrediente novo da disputa é a guerra tarifária travada pelos Estados Unidos contra o mundo todo, que deve ser um ponto de crítica comum nos discursos de diversos líderes, mas com diferentes tons a depender da proximidade com Trump e do receio de irritá-lo.

Da mesma forma, a maior parte dos temas abordados por Lula, como a reforma da ONU e a defesa da solução de dois Estados, são pautas tradicionais da agenda de política externa brasileira.

 

CNN Brasil

 

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