Abacatudo, Moranguete… ‘Novelas de frutas’ viralizam e divertem, mas acendem alerta de psicólogos

Um personal trainer musculoso termina o namoro porque a companheira está “gorda demais”. Uma esposa é agredida por se recusar a preparar o jantar do marido.
Os enredos, problemáticos, poderiam ser de uma novela das nove, mas os protagonistas são um abacate, um morango, uma banana e uma pêra.
Seja no TikTok ou no Reels do Instagram, as “novelinhas de frutas” estão tomando conta do algoritmo de muita gente.
O sucesso de audiência das frutas animadas por Inteligência Artificial (IA) também está inflando a venda de cursos que prometem “renda extra” através dos prompts (comandos de textos) que animam os personagens.
O problema, alertam especialistas, está na “embalagem”. A estética lúdica (que remete a desenhos infantis) é um convite para que crianças e adolescentes consumam, sem filtro, roteiros carregados de palavrões e de discursos preconceituosos.
Entenda o que está por trás das ‘novelas de frutas’:
Adaptação à brasileira
Cravar a origem exata de uma “trend” é sempre um desafio. Alguns usuários, contudo, apontam o perfil “AI.Cinema021” como um dos precursores dessa modinha no TikTok.
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Em março deste ano, a conta viralizou ao adaptar o formato do reality show britânico “Love Island” para o universo das frutas. O resultado foi uma explosão de audiência que ultrapassou os 2,5 milhões de seguidores. Combinados, os conteúdos somam cerca de 30 milhões de curtidas.
Abacatudo, Moranguete e Bananildo são alguns dos personagens que dão rosto e voz sintética a tramas que comprimem, em 60 segundos, o suco de um típico dramalhão brasileiro mesmo. Com direito a fofocas, traições e até barracos em bailes funk.
Surfando no hype…
O fenômeno furou a bolha do entretenimento e mobilizou grandes marcas. No último domingo (5), o perfil oficial do Flamengo surfou na onda após a vitória sobre o Santos, mas não foi o único.
Empresas como Carrefour e Burger King, além da Prefeitura de Salvador, também aproveitaram o engajamento das frutas para interagir com o público nas redes sociais.
Influenciadores digitais também vão na mesma linha e agora produzem versões “live-action” das tramas, pintando os próprios rostos e encenando os diálogos mais virais das animações.
O ponto de alerta, para ele, são as reações dos personagens em cena, que costumam simular situações comuns do dia a dia. “Mas se percebermos as respostas ali apresentadas são sempre muito extremistas, muito agressivas”, comenta.
Como são as diretrizes das redes para menores?
De acordo com as diretrizes disponibilizadas pelas plataformas, é necessário ter pelo menos 13 anos para criar uma conta no TikTok ou no Instagram. As redes pedem comprovação via documento ou selfie de vídeo.
Perfis identificados como pertencentes a menores dessa faixa são excluídos permanentemente, sem exceções. Para o público entre 13 e 17 anos, os conteúdos e interações nas plataformas são limitados.
Segundo o Relatório de Transparência do primeiro trimestre de 2026, cerca de 1,2 milhão de conteúdos são removidos mensalmente por violações de regras infantis.
O sistema prioriza o banimento em até 24 horas para casos de “bullying, violência ou qualquer teor sexualizado envolvendo menores”, mantendo uma política de tolerância zero para contas que exponham crianças a situações de risco.
G1
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