
Com o avanço da expectativa de vida no Brasil, material educativo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre planejamento financeiro pessoal, disponível no gov.br, orienta como se preparar para a aposentadoria e calcular quanto guardar por mês para manter o padrão de consumo na velhice, sem depender apenas da Previdência Oficial.
Mais tempo de vida, mais tempo de despesas
Segundo o livro TOP Planejamento Financeiro Pessoal, da CVM, a expectativa de vida do brasileiro passou de cerca de 45,5 anos em 1940 para 75,5 anos em 2022.
O aumento, apontam as orientações, cria o chamado risco de longevidade: a possibilidade concreta de a pessoa viver mais do que o dinheiro acumulado.
O material ressalta que começar a poupar cedo é decisivo por dois motivos. Primeiro, porque o tempo potencializa os juros compostos: contribuições menores, feitas por mais anos, tendem a gerar um patrimônio maior.
Segundo, porque o envelhecimento da população pressiona a sustentabilidade do INSS, o que torna cada vez mais importante construir uma reserva privada complementar.
Quatro passos para chegar ao valor da aposentadoria
Para estimar o valor necessário no futuro, a CVM propõe um roteiro em quatro etapas, que considera orçamento, tempo de sobrevida e taxa de juro real, isto é, acima da inflação.
No primeiro passo, é preciso projetar o orçamento na velhice. Algumas despesas tendem a cair, como gastos com filhos, educação e financiamento da casa própria. Outras costumam subir e permanecer, entre elas saúde (planos, remédios e cuidadores) e lazer.
O material recomenda fazer contas conservadoras: se hoje o gasto mensal é de R$ 10 mil, é preciso avaliar quanto disso permanecerá e quais itens serão adicionados.
No segundo passo, o cidadão deve listar a renda garantida que receberá na aposentadoria, como INSS, previdência privada já contratada e eventuais aluguéis.
A conta básica é: despesa total estimada menos renda garantida é igual à renda complementar necessária. Exemplo: se a projeção indicar gasto de R$ 10 mil e o INSS pagar R$ 4 mil, a carteira de investimentos precisa gerar R$ 6 mil por mês.
Defina como o patrimônio será usado
O terceiro passo é escolher a estratégia de uso do dinheiro acumulado. O guia da CVM detalha duas alternativas principais:
- Viver de renda: sacar apenas os rendimentos e preservar o capital, o que exige patrimônio maior, mas permite deixar herança.
- Consumir o capital: planejar retiradas para que o dinheiro dure até uma idade-alvo, como 95 anos, sabendo que existe o risco de o investidor viver além desse prazo.
Juro real, simulações e revisão constante
No quarto passo, entra a matemática financeira. As orientações sugerem usar, em simulações de longo prazo, taxas de juro real líquidas conservadoras, entre 2% e 3% ao ano, já descontada a inflação.
A publicação traz um exemplo: para obter renda extra de R$ 4.500 mensais por 30 anos, com juro real de 0,25% ao mês, seria necessário chegar aos 65 anos com cerca de R$ 1.067.000 acumulados. Para viver apenas dos juros, sem tocar o principal, o valor subiria para aproximadamente R$ 1,8 milhão.
O material da CVM enfatiza que esse tipo de planejamento não é definitivo. Mudanças familiares, de saúde, de renda ou no cenário econômico exigem revisões periódicas das contas e dos objetivos, para que a reserva acompanhe a realidade e sustente uma velhice mais longa com segurança financeira.
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