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Vinny retoma carreira e relembra 1ª versão de ‘Mexe a Cadeira’: ‘Era bem Red Hot Chili Peppers’

Vinícius Bonotto Conrado já foi vocalista de duas bandas de rock, uma delas inspirada no sucesso do Guns N’ Roses. Mas foi com uma carreira solo de pop dançante que Vinny fez sucesso no fim dos anos 90, com hits como “Mexe a Cadeira” e “Uh Tiazinha”

Após o “declínio”, na definição dele, Vinny resolveu estudar filosofia e se aventurar por outros estilos: lançou disco de samba e formou um trio de rockabilly. Hoje, divide sua agenda entre o “Baile do Vinny” e um show acústico, com repertório que tem mais a ver com o lado mais folk de baladas como “Te Encontrar de Novo”.

Em entrevista ao g1, o cantor de 58 anos mostra ser um cara tão simpático quanto autoconsciente. Ele sabe por que fez sucesso e sabe por que, hoje, talvez prefira não fazer mais tanto sucesso.

Nesta semana, o g1 publica uma série especial de entrevistas com brasileiros que fizeram sucesso na música e apresentam novidades em 2025.

Vinny na capa do único disco da banda de hard rock romântico Hay Kay, lançado em 1992 — Foto: Divulgação/BMG

Vinny na capa do único disco da banda de hard rock romântico Hay Kay, lançado em 1992 — Foto: Divulgação/BMG

g1 – O que você tem feito nos últimos anos? Se pudesse dar uma recapitulada: sei que você estudou Filosofia, Psicanálise, Ciências Sociais…

Vinny – Você pode fazer muitas coisas no seu declínio. Ao contrário do que se pensa, ele não é a morte, né? Era um sonho meu. Sempre fui apaixonado por Filosofia. Então, me graduei por conta disso. Depois, acabei fazendo mestrado em Ciências Sociais, em Buenos Aires [a esposa dele, a produtora Karina Lusbin, é argentina]. E aí acabei concluindo um curso de Psicanálise em São Paulo. Eu fiquei todo esse tempo sem fazer nenhum show, um afastamento longo.

g1 – Depois, você virou vocalista do LS Jack. Como foi isso e como foi a lesão na sua corda vocal?

Vinny – Somos amigos e frequentávamos o mesmo estúdio. Começamos a fazer shows pontuais e a coisa foi indo bem. Mesmo com arranjos em tons baixos, eles eram altos para mim. Porque de fato há um envelhecimento da voz. Alguns poucos artistas preservam o mesmo vigor, mas é comum que a voz envelheça, né? Principalmente quando você tem os tons muito altos que é meu caso. Eu não esperava que a coisa fosse tão intensa e eu tive uma lesão na corda vocal que me assustou. Foi logo antes de irmos no programa da Patrícia Poeta [em maio de 2023]. Eu estava com uma espécie de dor de garganta que não passava nunca. Fui procurar um especialista e ele falou que eu tinha uma fenda glótica [lesão nas cordas vocais]. Fiz muito esforço para cantar aquelas músicas e tive que parar de cantar por seis meses, fazer fono, ficar soprando um negócio lá, chato pra cacete… Eu expliquei que não poderia mais continuar na banda. Eles ficaram um pouco chateados, estão até hoje. Mas para mim era uma questão de saúde, inclusive psíquica, sabe?

Vinny foi vocalista do LS Jack entre 2020 e 2023 — Foto: Divulgação/Site oficial da banda

Vinny foi vocalista do LS Jack entre 2020 e 2023 — Foto: Divulgação/Site oficial da banda

g1 – Voltando para o começo, você começou no hard rock romântico com o Hay Kay. Como foi parar na banda e como foi essa fase?

Vinny – Minha mãe trabalhava num consultório médico como recepcionista e ela recebeu o Flavio Senna, um engenheiro de som muito conceituado. E aí mãe é aquela coisa, né? Ela vendeu o peixe: “meu filho é um ótimo cantor, já está gravando e tal”. Aí ele deu o cartão para ela. Isso foi no final dos anos 80. Daí, lá fui eu no orelhão ligar. Ele me chamou para ir em um estúdio, levei minha fita e ele virou meu padrinho musical. Era um estúdio gigante da BMG. Minhas músicas eram incipientes, mas legais. Aí o Marcelo Sussekind, um ótimo produtor e guitarrista, ouviu e deixou o contato dele comigo. Eu fiquei tremendo igual vara verde. Eu era menino, tinha 22 anos. O Marcelo falou que precisava de um cantor. E daí fomos ensaiar. Todo mundo da banda tinha estúdio, menos eu. Eu não tinha nem carro, não tinha nada, estava fodido. [Risos] A gente estava em uma onda meio Peter Gabriel, mas o Miguel Lopes, diretor artístico da BMG, queria uma banda de rock com todo mundo tatuado e cabeludo, sempre dava Guns N’ Roses como referência.

“Era tudo com os tons lá em cima. ‘Aperta o saco dele até chegar no tom’. [Risos] Aquilo foi a minha chance, né? Fizemos um disco que ficou OK. Hoje, eu ouço e penso: ‘Se pudesse refazer, seria mais legal’. Tem erros técnicos. Isso foi por conta de droga, e uma porrada de coisa que rolava ali… eu nunca me aproximei disso, mesmo dentro da banda. Eu sempre estive um pouco fora, eu era bem mais jovem.”

g1 – Quando a banda acabou, o que aconteceu?

Vinny – Eu resolvi voltar a fazer as coisas que eu acreditava, talvez elas dessem certo. Em 1991, fiz uma fita demo com o Leoni. Era um som meio folk. Pelo menos, eu gostaria que aquilo parecesse folk, não sei. Fiz esse primeiro disco e não deu muita coisa. Gravamos o segundo e eu queria cantar coisas mais pesadas. A faixa bônus era “Mexe a cadeira”. Eu fui em um aniversário, vi uma garota dançando, voltei para casa e saiu essa música. Era bem diferente, mais funk rock, bem Red Hot Chili Peppers. Eu não queria que eles trabalhassem nada dessa música, mas eles tentaram com as outras que eu implorava… e não deram em nada. Então, perguntaram se podiam trabalhar “Mexe a Cadeira” e eu falei: “Ok, foda-se”. E aí teve uma parada que quando eu vi, falei: “Caralho!” Eu não conseguia nem dormir…

g1 – Fizeram um remix.

Vinny – Fizeram um remix. Foi o Cuca, DJ de São Paulo. Ele tinha feito uns remixes famosos e quando ouvi aquilo, eu falei: “Meu Deus do céu. A música já não é grande coisa… agora então, piorou, né?” E, para mim é surpresa, o pulo do gato é que foi orgânico. A gente não tinha dinheiro da gravadora, então em vez de pagar jabá para tocar nas rádios… a gente viu a música começar a tocar em discotecas, em boates para até 3 mil pessoas por noite, como a Love Story, em São Paulo. A música passou a ser conhecida pelos DJs. O bagulho doido dessa vez é que o DJ tocava, neguinho comentava, e daí o DJ tocava de novo. E ela foi assim, devagarinho. Não teve jabá, não teve nada. A música explodiu no país inteiro. Ela me levou a tocar no Japão, em Portugal. Que loucura, né?

Capa do disco de maior sucesso de Vinny, 'Na Gandaia', de 1998 — Foto: Reprodução

Capa do disco de maior sucesso de Vinny, ‘Na Gandaia’, de 1998 — Foto: Reprodução

g1 – E como foram os shows logo depois desse estouro?

Vinny – Eu fui abrir uns shows grandes no Rio de Janeiro, né? E eu acabei abrindo para Queensrÿchee e Whitesnake. Eu tinha o repertório do disco, que era mais pesado, mas daí eu cantava “Mexe a cadeira”. E ficava todo mundo olhando para mim com uma cara meio de desconfiança. “O que que esse maluco tá fazendo aí?” Foi uma incoerência que aconteceu durante um bom uns dois meses.

g1 – Como foi para você aceitar ir por esse caminho, fazer essa concessão?

Vinny – Cara, aceitar ir por esse caminho foi até tranquilo. Olha… a minha mãe falava um negócio para mim, que eu nunca esqueci: “Meu filho, o dinheiro não aceita desaforo. Se uma coisa muito grande se abrir na sua frente, repensa um pouco, talvez vale a pena, sabe?”

“Foi algo assim: ‘Eu faço o que eu acho que tem que ser feito ou faço o que de fato precisa ser feito?’ Eu não tinha dinheiro, não tinha nada… não tinha um carro, um apartamento. Estava ali tentando há muito tempo. Eu já tinha 30 anos e o bagulho caiu na minha mão, sabe?” 

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