
Um estudo realizado pela Associação Paulista de Supermercados (APAS) em parceria com a Shopper Experience apontou que o uso intenso de canetas emagrecedoras já está interferindo nos resultados do varejo nacional. Os dados mostram que saúde, praticidade, proteína, conveniência e conexões autênticas passaram a liderar as decisões de compra dos consumidores nos supermercados.
“O brasileiro não está apenas mudando hábitos, está reescrevendo sua relação com o alimento. Quem entender a leitura desses dados agora vai conseguir oferecer exatamente o que o consumidor quer comprar”, destacou Carlos Correa, diretor-geral da APAS.
Os dados mostram uma mudança estrutural no consumo. Entre os consumidores que alteraram seus hábitos nos últimos 12 meses, 64% passaram a consumir produtos mais saudáveis. O movimento já aparece claramente no carrinho de compras: açúcar caiu 21,2% em volume no comparativo entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2022, enquanto chocolates recuaram 15,7% e biscoitos, 19,3%.
Na direção oposta, categorias ligadas à saudabilidade e alimentação funcional seguem em forte expansão. Verduras cresceram 41% em volume, legumes avançaram 28% e frutas, 18%. O estudo também mostra que 53% dos consumidores reduziram o consumo de açúcar e doces, enquanto 49% aumentaram a ingestão de proteínas.
Canetas emagrecedoras
A busca por performance e alimentação funcional também impulsionou categorias ligadas à suplementação. A creatina registrou crescimento de 672% em volume entre o primeiro trimestre de 2026 e o mesmo período de 2022. Já isotônicos cresceram 85,3%, enquanto energéticos avançaram 85% no período analisado.
As canetas emagrecedoras surgem como um dos principais vetores de transformação do consumo alimentar. Segundo o estudo apresentado na APAS SHOW, as buscas no Google por medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy cresceram 94% entre 2025 e 2024, evidenciando a rápida expansão desses tratamentos no país.
Os impactos vão além da redução de peso e já alteram diretamente os hábitos de compra. Entre os consumidores que utilizam esses medicamentos, 61% relataram redução significativa do apetite geral, 49% passaram a fazer escolhas alimentares mais saudáveis e 47% aumentaram o consumo de proteínas. Outros 35% afirmaram ter reduzido o interesse por alimentos gordurosos e doces.
Outro destaque do estudo é o crescimento da praticidade saudável. A categoria de frutas congeladas registrou alta de 48,9% em volume no primeiro trimestre de 2026 frente ao mesmo período do ano anterior e mais que triplicou de tamanho desde 2022, impulsionada pelo consumo em shakes, smoothies e preparações proteicas
O levantamento também mostra que os perecíveis seguem ganhando importância no varejo alimentar. A cesta já representa 44,3% do faturamento do setor e foi a única a crescer em volume em 2025.
Para Fabiano Benedetti, Diretor de Marketing, Vendas, Novos Negócios e CRM da APAS, os dados funcionam como uma ferramenta estratégica para o setor supermercadista. “O varejo que não acompanhar essa virada vai perder espaço para quem já está oferecendo exatamente o que o consumidor procura. Os dados ajudam o supermercadista a entender como ajustar mix, exposição, promoções e experiências de compra para um shopper muito mais consciente e exigente”, afirmou.
Band.com






