Rússia emite mandado de prisão internacional contra Pavel Durov, fundador do Telegram

Nesta quarta-feira (29), o Serviço Federal de Segurança interno da Rússia (FSB) anunciou que abriu um processo de busca internacional contra Pavel Durov, fundador e CEO do aplicativo de mensagens Telegram. O executivo foi formalmente enquadrado pelo Ministério Público russo em acusações de “cumplicidade e auxílio a atividades terroristas”.
A medida representa uma severa escalada no conflito entre o Kremlin e a plataforma de navegação criptografada, que há anos resiste a pedidos de moderação severa e entrega de chaves de decodificação de dados.
O paradeiro atual de Pavel Durov é considerado desconhecido. Ele já chegou a ser preso na França em agosto de 2024, mas foi solto pouco tempo depois.
Pouco depois do anúncio, a conta oficial do Telegram na rede social X publicou uma foto de Durov em um gesto obsceno, estendendo o dedo do meio. Até o momento esse foi o único posicionamento oferecido pelo diretor e pelo aplicativo de mensagens sobre o pedido de prisão.
De acordo com os comunicados oficiais divulgados pelo FSB, as autoridades russas sustentam que o aplicativo Telegram vem sendo utilizado como ferramenta estratégica por inteligências estrangeiras e grupos opositores:
- Facilitação Operacional: A acusação alega que Durov omitiu-se de remover canais, bots e chats automatizados que seriam operados pelos serviços de inteligência da Ucrânia e por grupos classificados como extremistas por Moscou.
- Recrutamento e Sabotagem: O governo russo afirma que essas redes utilizaram o app para arregimentar colaboradores e coordenar atos de sabotagem e ataques violentos dentro do território da Federação Russa.
- Base Legal e Pena: A acusação formal enquadra Durov no Artigo 205.1 do Código Penal Russo (auxílio a atividades terroristas), crime que prevê penas severas de reclusão de longo prazo, podendo chegar à prisão perpétua.
O anúncio do FSB confirma que Durov foi incluído na lista oficial de procurados da Rússia. No entanto, a aplicação prática da ordem fora de Moscou envolve nuances do direito internacional.
O mandato emitido por um tribunal russo não obriga nações terceiras a realizarem a prisão automática, a menos que haja um acordo de extradição ativo ou a emissão formal de uma Notificação Vermelha (Red Notice) aceita pela Interpol.
CLICKPB





