
A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou, nesta segunda-feira (24), ter recebido um investimento de US$ 750 milhões (mais de R$ 3,8 bilhões) do governo dos Estados Unidos, para concluir a aquisição da mineradora Serra Verde, em Goiás, a única em operação comercial de elementos de terras raras em larga escala no Brasil. O aporte faz parte de uma operação que totaliza US$ 1,55 bilhão e amplia em US$ 250 milhões o valor inicialmente previsto pela gestão de Donald Trump.
Segundo comunicado publicado no site da companhia, a compra deve ser concluída após a realização da assembleia de acionistas, nesta sexta-feira (28).
O projeto é considerado estratégico, pois tem como foco a produção de quatro elementos de terras raras utilizados na fabricação de ímãs permanentes: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Além do investimento do governo dos EUA, a estrutura financeira conta com uma linha de crédito rotativo de até US$ 500 milhões, concedida por um banco institucional de primeira linha.
O governo americano também assinou um contrato para comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.
Mina vale o investimento
A Serra Verde opera a mina Pela Ema, no município de Minaçu, em Goiás, considerada pela empresa americana a única mina de terras raras de argila iônica em produção comercial fora da Ásia.
Segundo a USA Rare Earth, mais de US$ 1 bilhão já foi investido no projeto, que é considerado um dos empreendimentos de terras raras mais avançados do mundo.
A empresa americana anunciou em abril um acordo definitivo para adquirir a Serra Verde. A operação prevê que a produção da primeira fase da mina seja destinada integralmente a uma estrutura de compra financiada por órgãos do governo americano e investidores privados.
O contrato de fornecimento tem duração de 15 anos e estabelece preços mínimos para os produtos.
Segundo a companhia, é a primeira vez que são estabelecidos preços mínimos para os elementos terras raras pesados disprósio e térbio, considerados importantes para a fabricação de ímãs de alto desempenho.
Disputa por terras raras
As terras raras são um conjunto de elementos químicos utilizados em produtos e tecnologias de alto valor agregado.
Eles são fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, equipamentos de energia, robôs, data centers, equipamentos médicos e sistemas aeroespaciais e de defesa.
A produção e o processamento desses minerais são dominados pela China, o que tem levado Estados Unidos e outros países ocidentais a buscar novas fontes de fornecimento.
Com a aquisição da Serra Verde, a USA Rare Earth pretende integrar operações de mineração, processamento e fabricação de ímãs entre Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.
A companhia afirma que o projeto brasileiro permitirá ampliar o fornecimento de terras raras para as cadeias industriais ocidentais e reduzir a dependência de fornecedores asiáticos.
Aquisição depende de votação
A conclusão da aquisição ainda depende de algumas condições. A USA Rare Earth convocou uma assembleia extraordinária de acionistas para 28 de agosto, às 10h (horário da costa leste dos EUA), para votar propostas relacionadas à fusão.
A empresa afirma esperar concluir a operação logo após a assembleia, caso as demais condições sejam cumpridas ou dispensadas.
Se a aquisição for concluída, a USA Rare Earth passará a controlar a mina Pela Ema, em Goiás, e incorporará o empreendimento à sua estratégia de construir uma cadeia integrada de terras raras, da mineração à produção de ímãs.
A companhia também possui ativos nos Estados Unidos e no Reino Unido e planeja expandir suas operações para França e Brasil.
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