Bloco Principal 3

Boca Rosa quer faturar R$ 1 bilhão até 2030 e bater de frente com gigantes nacionais

Quem acompanha o universo das redes sociais, sobretudo o nicho de beleza, se surpreendeu nas últimas semanas com uma mudança radical na identidade visual da Boca Rosa, marca de maquiagens da influenciadora Bianca Andrade. Lembrada pelos tons fortes e coloridos, como rosa choque e amarelo, a marca aposta agora nas cores cinza, preto e branco.

Após o encerramento do contrato de cinco anos com a Payot, tradicional empresa de cosméticos brasileira, em outubro do ano passado, Bianca montou uma equipe para relançar a Boca Rosa, com uma proposta bastante diferente do que era antes, em um tempo recorde de oito meses.

Das paletas de sombras e batons bem coloridos da era da união com a Payot, Bianca passou a apostar em uma linha de maquiagens mais prática, com uma menor variedade de produtos, mas com o objetivo de serem itens multifuncionais, que “acompanham as necessidades da mulher brasileira”.

Nesses oito meses de preparação para o lançamento da nova marca, Bianca conta que já investiu R$ 17 milhões.

O valor, segundo a influenciadora, foi distribuído principalmente em pesquisa de mercado e elaboração de maquiagens que atendam diferentes tonalidades de peles — o primeiro produto lançado foi uma base em bastão, disponível em 50 tons.

Sobre os valores, Bianca afirma que não quis recorrer a um sócio investidor e, por isso, desembolsou todo o investimento do próprio bolso.

“Para eu não me descapitalizar, eu fiz alguns acordos com bancos parceiros. Teve muita estratégia para a gente fazer esse investimento de forma segura e sem ser muito agressivo”, alega a empresária. 

Outros R$ 13 milhões, também de capital próprio, ainda serão utilizados para investir na marca em 2024.

E com um investimento milionário, os objetivos também são grandes. Bianca Andrade espera faturar R$ 120 milhões só no segundo semestre deste ano, e outros R$ 300 milhões em 2025 — um crescimento de 30%.

As expectativas são ainda maiores em um horizonte mais longo: a empresária enxerga um faturamento de R$ 1 bilhão até 2030, quando a Boca Rosa terá seis anos de operação.

Em entrevista exclusiva ao g1, Bianca Andrade conta como pretende alcançar essa faturamento com a marca recém-lançada e traz detalhes sobre a mudança do conceito da Boca Rosa. Veja os destaques a seguir.

‘O rebranding que a gente tá fazendo não é sobre identidade visual, é sobre conceito’

Para Bianca Andrade, a nova identidade visual de Boca Rosa acompanha o amadurecimento da influenciadora como mulher, que viralizou com vídeos de maquiagem no Youtube há mais de uma década, quando ainda era adolescente.

Hoje com 29 anos, ela destaca que é mãe e empresária e que já não sentia mais que as cores mais fortes e vibrantes representavam sua personalidade.

Foi daí que nasceu a ideia de transformar a marca em um símbolo de produtos práticos, para que mulheres consigam usar “na correria do dia a dia”.

Com isso, o foco da empresária ficou em maquiagens que possam ser aplicadas de forma rápida, com itens multifuncionais e usando o próprio dedo para espalhar. Bianca cita como exemplo um bastão com um produto colorido, que pode ser utilizado como blush, batom ou sombra para olhos.

Para Bianca Andrade, a nova identidade visual de Boca Rosa acompanha o amadurecimento da influenciadora como mulher. — Foto: Fábio Tito/g1

Para Bianca Andrade, a nova identidade visual de Boca Rosa acompanha o amadurecimento da influenciadora como mulher. — Foto: Fábio Tito/g1

Dessa forma, a nova identidade visual representa o conceito de praticidade. Além disso, Andrade afirma que queria embalagens neutras para que o destaque ficasse com os produtos.

Isso porque, segundo a empresária, “mulheres não compram mais maquiagem por uma embalagem bonita, mas sim pela qualidade.”

“O rebranding que estamos fazendo não é sobre uma identidade visual, é sobre um conceito, quem a gente é de fato. Cada detalhe que a gente desenhou, nós colocamos o que aquelas seguidoras mais antigas sentiam falta. Elas queriam ver a nova Bianca, que é a Bianca empresária, mais madura, mãe. Elas viram que eu não era mais a Bianca das embalagens coloridas e divertidas”, relata.”A marca tem uma identidade básica, objetiva, descomplicada, prática. Essa é a Boca Rosa. A identidade visual dividiu opiniões, mas fica o convite para a galera entender um pouco mais dos nossos produtos”, declara a empresária.

Segundo a influenciadora, seu público já não é mais o mesmo de 13 anos atrás, época em que ela começou a postar vídeos na internet.

Naquele período, diz Bianca, quem a acompanhava eram profissionais de maquiagem. Hoje, o público mudou e se ampliou para uma quantidade maior de mulheres, que ela chama de “mulheres reais”.

Com isso, a empresária enxergou que o público-alvo de sua empresa também não era mais restrito aos maquiadores e pessoas que utilizam a maquiagem para diversão, o que a fez olhar com mais atenção para o uso dos produtos no dia a dia de trabalho.

“A gente investiu muito em pesquisas sobre as nossas mulheres brasileiras. Com isso, descobrimos que a maior parte do meu público não é formado por profissionais de maquiagem, são mulheres reais, mulheres que querem sentir essa autoestima de estar maquiada, bem consigo mesma, mas nem sempre ela tem facilidade na hora de se maquiar”, afirma. 

“Agora eu tenho vários públicos me acompanhando, pois quando a gente fura a bolha é isso que acontece. Tem as minhas fãs que estão desde do começo, aquelas que já usaram batom rosa todos os dias e hoje já não usam mais. É a nossa história. Essas mulheres hoje não são mais as mesmas que começaram comigo. Elas começaram a se maquiar comigo adolescentes e hoje já são mulheres, empresárias”.

Nos últimos anos, diversas influenciadoras entraram no mercado de cosméticos ao lançarem suas próprias marcas de maquiagem e produtos para cabelo.

Além de Bianca Andrade, com a Boca Rosa, outras populares são Bruna Tavares, Mari Maria, Mari Saad, Camila Coutinho e Virgínia Fonseca, com WePink, apenas para citar alguns exemplos.

Bianca, no entanto, não considera que as marcas de influenciadoras são as maiores concorrentes da Boca Rosa, mas, sim, as empresas mais tradicionais do mercado nacional. As maiores companhias de beleza do Brasil, segundo levantamento de 2022 da Euromonitor, são Natura, Unilever, Avon, P&G e Grupo Boticário.

“Minha maior concorrência não são as minhas amigas influenciadoras. São as grandes marcas nacionais. A gente tem que se unir, formar uma potência, para nós alcançarmos esse espaço que ainda é todo deles. Deles porque são homens [que comandam as empresas de beleza]”, declara. 

'Minha maior concorrência não são as minhas amigas influenciadoras. São as grandes marcas nacionais',  diz Boca Rosa — Foto: Fábio Tito/g1

‘Minha maior concorrência não são as minhas amigas influenciadoras. São as grandes marcas nacionais’, diz Boca Rosa — Foto: Fábio Tito/g1

“Eu tenho uma boa relação com Bruna Tavares, Camila Coutinho e Mari Saad, por exemplo. Mesmo que a gente divida o público, isso não é um problema para nós, pois cada um dos nossos negócios tem uma característica. Isso é muito revolucionário”, conta Bianca.

A empresária também afirma que o mercado de cosméticos mudou por conta do trabalho das influenciadoras, na medida em que elas precisaram criar produtos de muita qualidade para ganharem a aprovação do público e não prejudicarem as suas carreiras.

“Quando a gente lança um produto que não é bom é a nossa carreira que está em jogo”, diz Bianca. 

Bianca conta que o mais difícil para lançar Boca Rosa foi trazer preços acessíveis

Os primeiros produtos da nova Boca Rosa terão valores entre R$ 59,90 e R$ 89,90.

E Bianca revela que a tarefa mais difícil para o lançamento da marca foi, justamente, decidir os valores dos produtos com sua equipe.

Isso por conta do alto custo de produção e elevados impostos no Brasil, que encarecem os valores, ao mesmo tempo em que a empresária fazia questão de diminuir os preços para tornar seus produtos mais acessíveis.

“A maquiagem pode ser democrática para todo mundo. Mas trazer isso com qualidade é um grande desafio para o Brasil, porque o preço é um fator determinante para a brasileira comprar um cosmético”, diz a influenciadora. 

Boca Rosa: 'A maquiagem pode ser democrática para todo mundo' — Foto: Fábio Tito/g1

Boca Rosa: ‘A maquiagem pode ser democrática para todo mundo’ — Foto: Fábio Tito/g1

Bianca conta que “acredita na venda em quantidade” mais do que no lucro pelos preços altos e, por isso, estudou até chegar nos menores valores, que fossem o suficiente para não desequilibrar os negócios, mas acessível para o máximo de pessoas possível.

A empresária explica que suas estimativas iniciais são de que a principal margem de lucro da Boca Rosa venha das vendas B2B — que são as vendas da marca realizadas em outras lojas, como as de departamento multimarcas.

A projeção é que este canal corresponda por 70% do faturamento, enquanto as vendas pelo e-commerce — uma novidade para a marca — respondam por 30%.

G1

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Botão Voltar ao topo
slot gacor hari ini
situs slot luar negeri