
Uma petição divulgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (16) revela que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antes de ser preso pela primeira vez em novembro de 2025, teria orientado um interlocutor a acionar os atuais chefes da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e da Procuradoria-Geral da República, Paulo Gonet.
Segundo as investigações, o objetivo era impedir o que Vorcaro definiu como “alguma sacanagem” da PF e do MPF.
No texto, a PF afirma que: “Daniel Bueno Vorcaro também afirmou ser importante que o interlocutor reforçasse, junto a Andrei (provavelmente Andrei Augusto Passos Rodrigues, Diretor-Geral da Polícia Federal) e Paulo (provavelmente Paulo Gustavo Gonet Branco, Procurador-Geral da República), a necessidade de impedir que subordinados, dentro das estruturas hierárquicas da PF e do MPF, praticassem “alguma sacanagem”, pois, segundo ele, “aí vai tudo pro saco”. O conteúdo da conversa estaria no bloco de notas do ex-banqueiro. O interlocutor não foi revelado no documento.
A manifestação teria antecedido a deflagração da Operação Compliance Zero. Consta nos documentos que o ex-banqueiro teve acesso privilegiado ao conteúdo da investigação. Dois dias antes de sua prisão, Vorcaro já havia tido conhecimento da Notícia de Fato do MPF que originou o caso, bem como da identidade do juiz e da vara em que tramitava o pedido de medidas cautelares contra ele.
Segundo Vorcaro, as informações vazaram de “pessoas de dentro do Bacen [Banco Central] “, que teriam participado de uma reunião sigilosa com a Polícia Federal dias antes da operação. Essa reunião contou com a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
Na petição divulgada pelo STF, também consta que a defesa de Vorcaro negou o acesso prévio às informações e argumentou que os dados teriam sido obtidos por meio da imprensa, o que, segundo a cronologia apontada pela Polícia Federal, não seria possível. Na realidade, o próprio ex-banqueiro teria vazado a informação para um jornalista, de acordo com investigação da PF.
Os investigadores também destacaram que o então advogado de Vorcaro, Walfrido Warde, passou a trocar uma série de mensagens com o ex-banqueiro no dia da deflagração da operação, após passar mais de seis meses sem contactá-lo.
Nessa conversa, Warde teria alinhado uma petição com o cliente antes mesmo da decisão judicial que determinou a prisão.
“O comportamento, marcado por ligações sucessivas, mensagens insistentes e preocupação com horário de deslocamento, reforça o indicativo de que DV [Daniel Vorcaro] tinha consciência de que medidas relevantes seriam adotadas ainda naquele dia, compatível com o contexto de sua prisão poucas horas depois”, afirma o documento da PF. Para os investigadores, a reunião dessas informações reforça a tese de que o ex-banqueiro estava se preparando para fugir.
O SBT News procurou a PF e a PGR e aguarda manifestação.
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