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Três indígenas Yanomami são assassinados por garimpeiros em comunidade, afirma liderança

Mortes ocorreram na região do Homoxi, onde há forte presença dos invasores.

Três indígenas Yanomami foram assassinados por garimpeiros na região do Homoxi, dentro da Terra Indígena. A informação, divulgada nesse domingo (5), é do líder Júnior Hekurari Yanomami, que está na região acompanhando as ações de saúde frente à crise humanitária no território.

A informação sobre os assassinatos foi repassada a Hekurari por indígenas das regiões de Haxiu e Waphuta. A ministra dos Povo Indígenas, Sônia Guajajara, esteve no território nesse domingo (5) e sobrevoou algumas regiões.

“Recebi informações das comunidades do Haxiu e Waphuta de que os garimpeiros mataram três jovens. Estamos muito preocupados. Hoje, sobrevoamos com a ministra onde tiveram as mortes. Têm muitos garimpeiros e helicópteros voando em cima. Nós ficamos muito preocupados . As comunidades querem ir lá para buscar esse corpo. Nós comunicamos a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Funai para apoiar no resgate desses corpos que estão no Homoxi”, disse Hekurari.

A suspeita, segundo ele, é que as mortes foram causadas por garimpeiros que estão em fuga pelo território. Grupos têm fugido, nos últimos dias, pelas matas e por rios. Com o espaço aéreo fechado, aeronaves clandestinas se recusam a entrar na região para buscá-los.

Na região de Homoxi há com forte presença de garimpeiros – ano passado, eles tomaram a pista da localidade. É nesta região que fica a pista do Jeremias, rota usada pelos invasores para chegar ao território. Neste domingo (5), dezenas de garimpeiros em fuga se aglomeravam na pista.

Dezenas de garimpeiros se aglomeram na pista do Jeremias, uma das vias mais usadas pelos invasores na Terra Yanomami — Foto: Reprodução/Redes sociais

Dezenas de garimpeiros se aglomeram na pista do Jeremias, uma das vias mais usadas pelos invasores na Terra Yanomami — Foto: Reprodução/Redes sociais

Fuga do território

Garimpeiros ilegais que exploram minério Terra Indígena Yanomami começaram a fugir do território após o início de ações de repressão à atividade clandestina. Na última quarta-feira (1º), a Força Aérea Brasileira iniciou controle do espaço aéreo e usa aeronaves com radares superpotentes.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, afirmou em rede social nesta segunda-feira (6) que determinou reforço das forças de segurança federais que atuam em Roraima para retirar garimpeiros ilegais de terras indígenas, incluindo as áreas de indígenas Yanomami.

Dino espera que a saída ocorra “em paz, sem conflitos”. Nesse domingo (5), o governador de Roraima, Antônio Denarium, pediu ajuda do governo federal para os garimpeiros ilegais que começaram a deixar as terras indígenas após o reforço das ações de segurança.

Em nota, o governo de Roraima disse ter pedido aos ministros Rui Costa (Casa Civil) e José Múcio Monteiro (Defesa) “apoio para garantir a saída desses trabalhadores que se encontram em área de garimpo e que escolheram sair daquela região de forma espontânea e pacífica”.

Denarium era aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e, na última semana, afirmou que os garimpeiros ilegais não eram responsáveis pelo agravamento da crise dos Yanomami nos últimos anos. Disse ainda que os indígenas Yanomami precisam “se aculturar, não podem mais ficar no meio da mata, parecendo bicho”.

Crise humanitária sem precedentes

Maior território indígena do país, a Terra Yanomami enfrenta uma crise humanitária e sanitária sem precedentes. Indígenas, entre crianças e adultos, enfrentam quadro severos de desnutrição e malária.

A invasão do garimpo predatório, além de impactar no aumento de doenças no território, causa violência, conflitos armados e devasta o meio ambiente. A ação aumenta o desmatamento, poluição de rios devido ao uso do mercúrio, e causa prejuízos para a caça e a pesca. Tudo isso, impacta nos recursos naturais essenciais à sobrevivência dos indígenas na floresta.

Doentes, os adultos não conseguem buscar comida para a família ou cultivar plantações na terra devastada, o que impacta na dieta das crianças, as mais fragilizadas. É um ciclo que leva à fome e tem provocado a grave crise humanitária no território.

G1

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