TERMÔMETRO DA COP30 #DIA 8: a semana decisiva em Belém, a ausência que chamou atenção e as decisões de capa

Olá, aqui quem escreve é Roberto Peixoto, repórter de Meio Ambiente no g1. Este é o Termômetro da COP30, edição #DIA 8, um boletim com o essencial que você precisa saber sobre a 30ª Conferência do Clima da ONU.
Eu vou explicar para você, em 7 tópicos, como foi o final de semana em Belém. Entre os destaques, eu conto que a Alemanha finalmente sinalizou que deve anunciar sua contribuição ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, enquanto o plano de US$ 1,3 trilhão segue enfrentando resistência de países-chave.
Vou falar também por que a discussão sobre minerais virou assunto central da COP pela primeira vez. E ainda explico o que está por trás da disputa sobre as decisões de capa e por que isso importa para o desfecho desta conferência.
1 – Em alta X em baixa
- EM ALTA: 💰 A Alemanha deu um sinal importante em Belém. O ministro do Meio Ambiente, Carsten Schneider, disse que “nos próximos dias” deve anunciar quanto o país vai colocar no Fundo Florestas Tropicais para Sempre, o TFFF, iniciativa lançada pelo Brasil para pagar quem conserva suas florestas.
- EM BAIXA: 🗺️ O plano de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático, uma das apostas políticas do Brasil para esta COP30, encontrou resistência. Japão, China e Quênia questionaram a legitimidade do debate e evitaram apoiar o documento preparado pelas presidências da COP29 e COP30. Um resumo técnico divulgado no fim de semana (entenda mais no item 4), que deveria ajudar a montar um pacote de decisões, também não incorporou os mapas do caminho defendidos por Lula, deixando o roteiro brasileiro com menos força justamente no momento em que o tema entra no centro das negociações.
2 – Brisa de esperança: minerais entram no palco principal da COP30
Uma novidade importante apareceu na última sexta-feira (14) em Belém. Pela primeira vez, os países reunidos numa cúpula do tipo da ONU começaram a discutir abertamente de onde vêm os minerais que fazem a energia limpa acontecer. Ou seja, tudo aquilo que vira bateria, painel solar, motor de carro elétrico e turbina eólica.
Até agora, esse assunto tinha ficado sempre na borda das COPs, mesmo sendo decisivo para qualquer promessa de transição energética.
No fim do dia, um rascunho divulgado admitiu que a corrida por lítio, cobre e níquel cria oportunidades, mas também pressiona comunidades que vivem perto das áreas de mineração.
E trouxe um ponto novo: o texto reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive grupos em isolamento voluntário, que podem ser diretamente afetados pela expansão desses projetos.
O clima nas salas de negociação é de que esse assunto precisava aparecer. Países como Brasil e várias nações africanas vêm repetindo que a transição energética só será justa se os territórios que fornecem esses recursos não ficarem com o ônus e perderem o bônus. Por isso, a entrada do tema no texto, mesmo ainda entre colchetes, coloca essa discussão na rota das decisões políticas.
Nada está fechado e o documento continua em disputa, mas o fato de o tema ter entrado de vez na mesa é um passo para encarar não só o futuro da energia limpa, mas todo esse caminho que ela percorre até chegar lá.
3 – Traduz aí, g1
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Obras no Parque da Cidade da COP30 — Foto: PABLO PORCIUNCULA/AFP
O QUE SÃO AS DECISÕES DE CAPA? As decisões de capa são documentos políticos escritos pela presidência da COP para “amarrar” o resultado final de uma conferência do clima.
Elas funcionam como um texto guarda-chuva: não pertencem a nenhum item específico da agenda, mas sintetizam a mensagem política da COP e podem destacar temas que não foram totalmente resolvidos nas negociações formais.
Na prática, são usadas quando a presidência quer dar um rumo geral à conferência, reforçar prioridades ou registrar compromissos que não cabem nas decisões técnicas. Por isso mesmo, são textos mais políticos do que operacionais, e acabam criando debate.
Países como o Brasil costumam questionar a legitimidade desse instrumento, já que ele não passa pelo mesmo processo rígido de negociação linha a linha que rege o restante da COP.
Outro motivo de polêmica é o consenso: toda decisão da COP precisa ser adotada sem objeções formais, mas cabe à presidência interpretar se esse consenso existe. Em conferências recentes, textos foram aprovados mesmo diante de discordâncias explícitas, o que aumentou a desconfiança sobre o uso das decisões de capa.
Veja exemplos importantes de outras COPs:
- COP26 (Glasgow): pela primeira vez, mencionou carvão e subsídios fósseis.
- COP28 (Dubai): trouxe a frase histórica sobre a “transição para longe dos combustíveis fósseis”, assinada por 198 países.
- COP25 (Madri) e COP27 (Egito): entregaram decisões fracas e muito criticadas.
Em resumo: decisões de capa podem elevar a ambição da conferência, como Glasgow e Dubai, ou frustrar expectativas, como Madri e Sharm.
Em Belém, o Brasil diz que prefere não usar esse instrumento, mas a pressão por um recado claro sobre combustíveis fósseis, desmatamento e financiamento está mantendo o assunto no centro das conversas.
4 – Pergunta do dia: o que falta para um acordo – e quando isso acontece?
A COP30 começa essa sua segunda semana com uma peça importante já na mesa: o documento que resume as consultas sobre os quatro temas que ficaram pendentes no início da conferência: financiamento climático (quem paga a conta da crise), comércio internacional (como regras de mercado afetam o clima), lacuna de ambição (o quanto as metas atuais ainda são insuficientes) e relatórios de implementação (como cada país mostra o que fez ou não fez).
Esse material saiu no fim do domingo e agora serve de base para tudo que começa nesta segunda-feira.
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