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Saiba como um pesquisador brasileiro descobriu um dos manuscritos mais antigos sobre a infância de Jesus

Pintura de Michelangelo Caravaggio mostra Jesus criança com a mãe, Maria — Foto: Reprodução

Pintura de Michelangelo Caravaggio mostra Jesus criança com a mãe, Maria — Foto: Reprodução

Textos históricos que registraram o começo do cristianismo foram levados em massa de regiões no Oriente Médio e Egito para a Europa no fim do século 19 e começo do século 20.

Parte desses documentos escritos em línguas que não são mais faladas, como o latim e o grego antigo, ainda não foi analisada, inclusive um papiro com cerca de 1,6 mil anos que, recentemente, foi identificado como o texto mais antigo sobre a infância de Jesus Cristo.

Um dos pesquisadores que reconheceu o texto é o brasileiro Gabriel Nocchi Macedo, que é professor da Universidade de Liège, na Bélgica.

Nocchi Macedo é de Porto Alegre, mas se mudou para a Bélgica há 20 anos, onde estudou letras clássicas e se especializou em papirologia, a ciência que estuda papiros antigos. Hoje, o gaúcho dá aulas sobre isso.

“O essencial do trabalho é consultar papiros em diferentes coleções e museus”, afirma. Foi dessa forma que ele e um colega descobriram o texto sobre a infância de Jesus.

Nocchi Macedo é de Porto Alegre, mas se mudou para a Bélgica há 20 anos, onde estudou letras clássicas e se especializou em papirologia, a ciência que estuda papiros antigos. Hoje, o gaúcho dá aulas sobre isso.

“O essencial do trabalho é consultar papiros em diferentes coleções e museus”, afirma. Foi dessa forma que ele e um colega descobriram o texto sobre a infância de Jesus.

“Por acidente, quase, por sorte, estávamos olhando fotos dos papiros da Universidade de Hamburgo, que foi digitalizada, e encontramos o papiro, lemos o texto (que está escrito em grego antigo) e identificamos como uma passagem sobre a vida de Jesus”, ele conta. 

O mérito de Nocchi Macedo e o colega, Lajos Berkes, é ter dado atenção a um documento que é um “patinho feio”, segundo o próprio pesquisador: “É um papiro pequeno, não é bonito e está mutilado. Registros assim podem trazer muita informação e contribuir com nosso conhecimento do passado. Todas as fontes, mesmo que ‘menores’ e ‘feias’, podem ser importantes, diz ele.

Esse documento não recebeu atenção de pesquisadores durante cerca de 100 anos. Para Macedo Nocchi, o texto passou batido porque parecia ser uma informação do cotidiano, e não um documento histórico.

Os dois foram a Hamburgo para consultar o papiro.

A coleção de papiros da Antiguidade da Universidade de Hamburgo, que o pesquisador brasileiro descreve como considerável, foi formada no começo do século 20.

Fragmento de papiro do século 4 ou 5 — Foto: Reprodução/Staats- und Universitätsbibliothek Hamburg/Public Domain

Fragmento de papiro do século 4 ou 5 — Foto: Reprodução/Staats- und Universitätsbibliothek Hamburg/Public Domain

“O grego era a língua da cultura. Esse evangelho da infância é conhecido em 9 línguas da antiguidade, mas o original era o grego, e esse papiro é o documento mais antigo que registra esse texto, prova isso”, afirma o pesquisador brasileiro. 

Jesus dá vida a pássaros de barro

 

O papiro traz um trecho do Evangelho de Tomé, um texto apócrifo sobre a infância de Jesus — não se trata de uma história reconhecida pela Igreja Católica ou outras instituições cristãs.

É uma espécie de “fanfic” sobre Jesus entre 3 e 5 anos, já fazendo milagres, escrita no século 4 ou 5, segundo Macedo Nocchi.

O fragmento encontrado descreve o início da ‘vivificação dos pardais’, um episódio da infância de Jesus que é considerado o “segundo milagre” no evangelho apócrifo de Tomé: Jesus brinca em um riacho e molda doze pardais com o barro da lama. Quando seu pai, José, o repreende e pergunta por que está fazendo isso no sábado, Jesus bate palmas e dá vida às figuras de barro.

O importante do papiro é que se reforça o entendimento de que os textos do começo do cristianismo eram escritos em grego.

Nocchi Macedo afirma que essa página não pertencia a um livro e, além disso, a letra não é das mais bonitas, o que indica que o documento pode ter sido por um estudante, e não por um profissional (chamados de copistas, pessoas dedicadas às cópias de textos e documentos).

Gabriel Nocchi Macedo, papirologista brasileiro — Foto: Reprodução/Uliege.be

Gabriel Nocchi Macedo, papirologista brasileiro — Foto: Reprodução/Uliege.be

G1

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