Quais são as 18 árvores que sustentam a Amazônia na luta contra o aquecimento global

Depois que uma área da Amazônia é destruída, a floresta parece “saber” por onde recomeçar. Um grupo de apenas 18 espécies de árvores domina, repetidamente, o processo de regeneração em qualquer lugar do bioma — e um estudo brasileiro identificou quais são elas e por que a natureza recorre sempre a esse mesmo grupo primeiro.
A resposta está numa seleção natural bem específica. Segundo Fernando Elias, pesquisador que liderou o estudo com apoio do Instituto Serrapilheira, a maioria das árvores amazônicas precisa crescer à sombra de outras para sobreviver. Mas essas 18 espécies são diferentes: suportam sol a pino, solo compactado e calor extremo.
Depois que uma área da Amazônia é destruída, a floresta parece “saber” por onde recomeçar. Um grupo de apenas 18 espécies de árvores domina, repetidamente, o processo de regeneração em qualquer lugar do bioma — e um estudo brasileiro identificou quais são elas e por que a natureza recorre sempre a esse mesmo grupo primeiro.
A resposta está numa seleção natural bem específica. Segundo Fernando Elias, pesquisador que liderou o estudo com apoio do Instituto Serrapilheira, a maioria das árvores amazônicas precisa crescer à sombra de outras para sobreviver. Mas essas 18 espécies são diferentes: suportam sol a pino, solo compactado e calor extremo.
Como a floresta age de forma “inteligente”?
Depois de um desmatamento, a floresta ainda tenta sobreviver e, ainda que o solo tenha sido degradado, a vegetação nasce de novo. É o que chamamos de floresta secundária.
Esse tipo de vegetação nem sempre nasce tão rápido quanto a floresta primária, nem é tão densa ou biodiversa quanto era originalmente. O que a pesquisa de Elias e sua equipe mostra é que essas primeiras espécies funcionam como uma resposta “inteligente” da floresta para sobreviver e criar as condições para que as demais espécies possam nascer.
O estudo mapeou 102 parcelas de floresta secundária espalhadas por quatro regiões do leste da Amazônia, separadas por uma distância média de 600 quilômetros entre si.
O mesmo padrão de dominância se repetiu em todas elas — um indício de que essas espécies não são um acaso local, mas um padrão real de como a floresta amazônica se recompõe.
Essas 18 espécies crescem rápido e produzem grande quantidade de folhas, que caem no chão e ajudam a fertilizar o solo.
Com suas copas, elas também reduzem a temperatura por baixo delas. Segundo Elias, é possível ter uma diferença de 3 a 4 graus Celsius do pleno sol para dentro da floresta.
Essa sombra e esse solo mais fértil criam um microclima ameno o suficiente para que espécies mais sensíveis, que não sobreviveriam ao calor de uma pastagem, consigam se estabelecer depois.
“Ela começa com árvores que suportam condições hostis, até que o ambiente seja menos vulnerável e possa ter mais biodiversidade, para que outras espécies venham. É uma resposta instintiva da floresta ao processo de degradação que ela passou. Uma forma de se reerguer”, explica.
E de que espécies estamos falando?
Das 18 espécies identificadas, cinco têm papel de destaque e nome popular conhecido:
- Embaúba (Cecropia palmata)
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embaúba-prateada — Foto: Giselda Person/ TG
2. Araticum-bravo (Annona exsucca)
3. Ingá-vermelho (Inga alba)
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Ingá-vermelho — Foto: Divulgação
4. Tatapiririca (Tapirira guianensis)
5. Inajá (Attalea maripa)
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Detalhe da árvore do inajá e os cruatás que envolvem o fruto — Foto: Paulo André Rodrigues da Silva/Embrapa/Divulgação
A lista inclui ainda a conhecida castanheira-do-pará (Bertholletia excelsa) e outras 12 espécies: Attalea speciosa, Cassia fastuosa, Jacaranda copaia, Croton matourensis, Bellucia grossularioides, Inga edulis, Maprounea guianensis, Didymopanax morototoni, Sacoglottis guianensis, Himatanthus articulatus, Trattinnickia rhoifolia e Vismia guianensis.
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Imagem de uma Castanheira-Do-Pará (Bertholletia excelsa) — Foto: eulucasramus / iNaturalist
Duas dessas espécies chamam atenção pelo papel que exercem na floresta. O ingá-vermelho tem função química: por ser uma leguminosa, capta nitrogênio do ar com a ajuda de bactérias associadas às suas raízes, o que enriquece o solo para as plantas que virão depois.
Já o inajá, uma palmeira do grupo, atua de outro jeito: atrai animais que se alimentam de seus frutos, e são esses animais que trazem sementes de outras áreas da floresta, ajudando a diversificar a vegetação que está nascendo ali.
Segundo Elias, essas espécies podem ser utilizadas para direcionar as ações de restauração, já que estão crescendo naturalmente, sob condições naturais — o que significa que poderiam orientar o plantio de mudas em áreas que o poder público ou proprietários rurais queiram restaurar de forma mais rápida. Mas o pesquisador faz questão de frisar um limite importante desse uso.
“O que eu quero mostrar é que essas espécies são as mais importantes em termos de funcionamento e importantes nessa etapa de regeneração. Mas é importante que tenhamos como norte um reflorestamento diverso, para termos de volta a biodiversidade da Amazônia que tínhamos antes da destruição”, explica.
G1
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