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Problemas no Fies: candidatos relatam atrasos na lista de espera e aprovações ‘duplas’; MEC diz a alunos que vai manter prazos

Candidatos que se inscreveram no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) do 1º semestre de 2024 afirmam que erros do Ministério da Educação (MEC) no processo seletivo estão atrapalhando a convocação de novos alunos na lista de espera.

Os estudantes — que disputam mais de 67 mil vagas para fechar contratos de empréstimo e pagar a graduação — relatam falhas técnicas, demora excessiva na fila de espera e outros problemas que, na visão deles, exigiriam uma ampliação do prazo de inscrições.

Ainda assim, a pasta afirmou a esse grupo, por e-mail, que não mudará as datas do programa. Até a mais recente atualização desta reportagem, o MEC não havia respondido às perguntas enviadas pelo g1.

Em resumo, as queixas do estudantes são as seguintes:

  • 💻O sistema eletrônico pelo qual os estudantes enviam os documentos na matrícula tem problemas técnicos desde o início do processo, atrasando todas as etapas seguintes;
  • 📋As listas de espera não estão “rodando” no ritmo esperado, por isso, milhares de alunos que não foram aprovados na 1ª chamada aguardam a convocação;
  • 📝A mesma pessoa está sendo aprovada em mais de uma opção de curso (algo vetado pelo edital do Fies);
  • 🗓️ O prazo final do Fies termina em 30 de abril e, mesmo com as falhas relatadas acima, a pasta afirma que “não vislumbra possibilidades de prorrogação”.

Além disso:

  • edital do Fies 2024 foi publicado apenas em 7 de março, quase dois meses após a divulgação dos resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) — em 2023, o documento saiu em 27 de janeiro, antes das notas da prova.
  • As inscrições do Fies terminaram em 18 de março, após algumas universidades já terem iniciado o ano letivo. Isso fez com que os aprovados, que ainda teriam todo o trâmite da pré-aprovação e da matrícula, perdessem as primeiras semanas de aula.

Abaixo, entenda os detalhes dos problemas:

💻Problema 1: sistema de entrega de documentos com falhas

🔴Os alunos que foram pré-selecionados na 1ª chamada (divulgada em 28 de março) tinham de enviar, como é de praxe, uma série de documentos para a universidade. O sistema eletrônico usado pelas instituições de ensino, no entanto, apresentou problemas técnicos e atrasou esse processo.

Por isso, o MEC aumentou o prazo para a etapa de conferência de dados pessoais. Segundo relatos enviados à reportagem, mesmo assim, as falhas não foram corrigidas e continuam atrasando as matrículas.

“O sistema de acesso das faculdades oscilou muito, falhou e comprometeu os prazos. Foi uma correria gigante [desde o início]”, explica Rogério*, coordenador de bolsas e financiamento de uma instituição de ensino privada.

“É comum termos intercorrências no Fies, mas, neste ano, foram muitas mudanças [nas regras do programa] em pouco de espaço de tempo. É como trocar o pneu com o carro andando”, diz.

📋Problema 2: a lista de espera não está ‘rodando’

 

Acontece, então, um efeito cascata:

🔴Quando um candidato que passou na 1ª chamada não efetiva a matrícula ou não entrega os documentos a tempo, a vaga é transferida para a lista de espera (todos os reprovados disputam essa segunda chance). Em geral, a lista “roda” várias vezes, e novos alunos vão sendo convocados. O período para essa “repescagem”, segundo o edital, vai de 28 de março a 30 de abril.

🔴No entanto, jovens ouvidos pelo g1 afirmam que a lista de espera não está “rodando” como em anos anteriores. A primeira saiu em 28 de março, como era previsto, mas a segunda só foi divulgada em 18 de abril. Desde então, afirmam os estudantes, nenhum outro nome foi convocado.

🔴Provavelmente, o que explica essa lentidão é justamente o problema no sistema de entrega dos documentos.

Forma-se um ciclo: os candidatos pré-selecionados não conseguem completar a matrícula -> o MEC prorroga o prazo para esses alunos entregarem os documentos –> as vagas ficam “represadas” e não são liberadas para as listas de espera.

“Durante os 20 dias em que a lista não ‘rodou’, tive crises de ansiedade constantes, e não consegui ser produtiva nem no trabalho, nem nos estudos”, conta Alice Rêgo, de 20 anos, de Xinguara (PA).

Ela busca uma vaga em medicina. “Acho que o pessoal do MEC não tem noção do quão difícil é, porque isso mexe com um sonho gigante. Tento vestibular há 5 anos, e o Fies é minha esperança de realizar isso. Estão acabando com a minha saúde mental.”

Maria Eduarda Souza, de 24 anos, também está aflita com a lentidão das listas de espera.

G1

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