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Placa tectônica se divide sob o Himalaia e cientistas alertam para terremoto catastrófico

Um estudo recente revelou que a Placa Indiana, uma das grandes placas tectônicas da Terra, não está apenas deslizando sob o Tibete, como se pensava, mas se dividindo em pedaços. O processo, segundo os cientistas, pode aumentar o risco de terremotos mais fortes e frequentes na região.

A colisão entre a Placa Indiana e a Placa Eurasiática, iniciada há cerca de 60 milhões de anos, formou o Himalaia e continua moldando a região.

Até recentemente, pesquisadores acreditavam que a Placa Indiana se movia de forma uniforme, deslizando sob o Tibete como uma peça sólida. Mas novos dados sísmicos revelam que a realidade é mais complexa: a placa está se fragmentando, e partes dela estão se desprendendo e afundando no manto terrestre.

Descoberta

O estudo, liderado pelo geofísico Lin Liu, da Universidade Oceânica da China, coletou informações de 94 estações sísmicas espalhadas pelo sul do Tibete, que captam vibrações causadas por terremotos distantes.

As informações sobre essas vibrações, chamadas de ondas sísmicas, foram combinadas pelos cientistas para criar um mapa tridimensional da estrutura da placa.

Os resultados mostraram que, a cerca de 100 quilômetros de profundidade, a Placa Indiana está se partindo. Enquanto a porção superior, mais leve, continua próxima à superfície, a parte inferior, mais densa, está sendo sugada para o manto.

“Essa revelação desafia suposições antigas sobre o comportamento da Placa Indiana”, afirmou Liu durante a apresentação dos resultados, em abril deste ano.

A pesquisa indica que, em algumas áreas, a placa permanece intacta, mas em outras, ela se rompe, permitindo que a rocha derretida do manto preencha as lacunas.

Risco de terremotos

A fragmentação da Placa Indiana não é apenas uma curiosidade científica. O processo de delaminação, como é chamado o caso, pode aumentar a tensão na crosta terrestre, o que eleva o risco de terremotos mais intensos no Himalaia e no Tibete.

A falha geológica Rift Cona-Sangri é um dos pontos de preocupação, porque está posicionada diretamente acima de uma das áreas de ruptura identificadas na Placa Indiana durante a fragmentação.

Além disso, padrões de terremotos na superfície e a presença de gases raros, como hélio-3, em nascentes locais reforçam a ideia de que mudanças significativas estão ocorrendo no subsolo.

Milhões de pessoas vivem nas proximidades do Himalaia, uma região já conhecida pela alta atividade sísmica. Segundo os pesquisadores, entender melhor esse processo pode melhorar as previsões de terremotos.

“Com uma imagem mais clara de como as placas interagem, podemos prever eventos sísmicos com maior precisão”, disse a equipe de Liu.

Novas técnicas, novas respostas

Mapear o subsolo do Tibete é difícil devido à complexidade das rochas e à profundidade das estruturas. Métodos sísmicos tradicionais muitas vezes geram resultados conflitantes, com diferenças de até 48 quilômetros na estimativa da posição da Placa Indiana.

Para superar isso, os cientistas usaram a técnica de divisão de ondas de cisalhamento, que analisa como as ondas sísmicas se comportam sob tensões tectônicas. Essa abordagem, combinada com dados de ondas P e S, permitiu criar uma imagem mais nítida da placa.

Na região da Sintaxe Oriental do Himalaia, onde a cadeia montanhosa faz uma curva acentuada, as ondas sísmicas revelam padrões circulares, indicando que o manto flui ao redor da zona de colisão, como um líquido contornando um obstáculo. Esses dados confirmam que a Placa Indiana está se deformando e se rompendo de maneira irregular.

 

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