Ormuz em disputa, cessar-fogo e ameaças: guerra no Irã completa 2 meses com impasses pela paz

A guerra no Irã completa dois meses nesta terça-feira (28) em meio a impasses nas negociações de paz e à dificuldade de avanço diplomático entre as autoridades americanas e iranianas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, descartou o envio de uma delegação ao Paquistão, que vem mediando o conflito, para as tratativas sob alegação das “longas horas de voo”.
“Se o Irã quer conversar, então pode nos ligar ou vir aos EUA. Vamos negociar pelo telefone; temos linhas telefônicas seguras. Não vou enviar pessoas para o Paquistão, são 17 ou 18 horas de voo”, disse em entrevista à Fox News no domingo (26). O republicano também voltou a garantir que a guerra terminará “em breve” e que Washington será vitoriosa.
No último dia 21, o governo americano prorrogou o cessar-fogo temporário contra o país persa “até que os representantes iranianos cheguem a uma proposta unificada para negociar a paz”. A decisão foi tomada poucas horas antes do fim da trégua, inicialmente prevista para terminar no dia 7 de abril.
As esperanças de reavivar os esforços de paz, no entanto, diminuíram desde que Trump cancelou, no sábado (25), a visita de seus enviados Steve Witkoff e Jared Kushner a Islamabad, a capital paquistanesa, onde o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, entrou e saiu duas vezes no fim de semana.
Desde o início do conflito, ao menos 3.375 pessoas já foram mortas no Irã, segundo a emissora estatal IRIB (Islamic Republic of Iran Broadcasting).
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano estão na lista, incluindo o ex-líder supremo Ali Khamenei. Com a baixa, o filho dele, Mojtaba Khamenei, assumiu a posição em meio a diversas especulações sobre seu real estado de saúde, já que ele ainda não apareceu ou falou em público.
Os EUA também alegam ter atingido sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares do país.
Proposta de Teerã
Segundo a agência de notícias estatal iraniana Fars, o país persa entregou ao Paquistão uma lista para ser enviada aos EUA com pontos considerados “inegociáveis” nas tratativas entre os dois países.
O site Axios aponta que, entre os termos, Teerã propôs encerrar o bloqueio do estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de escoamento de petróleo, em troca da retirada do tema nuclear das tratativas com os EUA. Além disso, também quer o fim das restrições impostas aos seus portos.
Apesar das dificuldades, fontes do Paquistão afirmam que os esforços diplomáticos continuam, mesmo após o fracasso das negociações presenciais. A proposta iraniana foi repassada a Washington pelo país, mas é considerada pouco provável de ser aceita.
Trump, por sua vez, tem insistido que qualquer entendimento deve incluir o fim do programa nuclear iraniano. “Temos todas as cartas. Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou nos ligar”, afirmou o presidente em entrevista à Fox News, no domingo (26).
Já o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou, em entrevista também à emissora americana na segunda-feira (27), que uma suposta oferta do Irã para reabrir o estreito de Ormuz sob condições rigorosas não é aceitável para os EUA nem para outros países.
‘O que eles querem dizer com abrir o estreito é que sim, o estreito está aberto, contanto que vocês se coordenem com o Irã, obtenham nossa permissão, ou nós explodiremos vocês e vocês nos pagarão’, alegou Rubio.
“Isso não significa abrir o estreito. Essas são vias navegáveis internacionais. Elas não podem ser normalizadas, nem podemos tolerar que tentem normalizar um sistema em que os iranianos decidem quem pode usar”, completou o secretário.
PORTALCORREIO




