Não podemos aceitar o tratamento que os EUA deram ao Brasil, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), que o governo não pode aceitar o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil nesta semana. Além disso, o petista voltou a usar o termo “traição da pátria”.
“É importante vocês saberem que nós estamos em um momento decisivo para que a sociedade brasileira – diria até parte da sociedade mundial -, reconheça o fortalecimento da democracia no nosso país, a nossa luta para o fortalecimento do multilateralismo. A nossa luta para que esse país não seja tratado, em nenhum momento, como se fosse uma republiqueta insignificante. Nós somos muito grandes, nós temos muita história e nós não podemos aceitar o tratamento que os Estados Unidos deu ao Brasil esta semana”, disse Lula.
Segundo o petista, não é possível dizer que o Brasil se negou a negociar com Washington sobre as tarifas. Lula também pontuou que ficou sabendo da taxação dos Estados Unidos “pelo Twitter”.
“Fiquei sabendo da primeira taxação pelo Twitter. Uma taxação substanciada com base em inverdades, porque o déficit que os Estados Unidos dizem que têm com o Brasil, é o Brasil que tem contra eles. Portanto, se alguém tivesse que fazer uma taxação, seria o Brasil contra os Estados Unidos. Nós sabemos disso. Então é importante que eles saibam que nós conhecemos a história”, destacou Lula.
“Nós não fizemos bravata, não fizemos discurso, nós resolvemos construir uma narrativa para tentar mostrar – não só aos Estados Unidos, mas mostrar a outros países e ao povo americano – a insensatez da punição ao Brasil”, continuou.
Durante a declaração na reunião ministerial, Lula voltou a dizer que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, “não gosta da América Latina e muito menos do Brasil” e citou a declaração dele no Senado americano.
“É importante que eles saibam que nós conhecemos a história, que nós não queremos guerra, que nós queremos fortalecer a nossa relação institucional com os Estados Unidos”.
Lula fala em ‘surpresa’ sobre decisão dos EUA
Na reunião ministerial, o presidente Lula também afirmou que ficou surpreso com a decisão do Representante de Comércio dos Estados Unidos, que concluiu uma investigação contra o Brasil e sugeriu uma taxação de 25% sobre os produtos brasileiros. A informação foi divulgada pelo governo Trump na segunda-feira (1º).
Sem citar nomes, Lula pontuou que pessoas estão “tentando trair o Brasil” com interesses mesquinhos, com interesses “rasteiros” de uma disputa eleitoral.
“Confesso a vocês que fui pego de surpresa com a decisão deles. E mais ainda, o que é triste, é que tem brasileiros, que eu não vou citar o nome, fomentando essa briga na perspectiva de que se ele taxar a gente, ele vai prejudicar uma candidatura à presidente da República”, disse.
“Estão tentando trair o Brasil com interesses mesquinhos, com interesses rasteiros de uma disputa eleitoral. E não há disputa eleitoral em qualquer país do mundo que possa dar valor a alguém que trai a pátria, alguém que é capaz de vender o seu país por interesses mesquinhos deles”.
‘Brasil não adotará política do vira-lata’
Lula também afirmou que o governo brasileiro decidiu que o país não adotará mais “a política do vira-lata diante das grandes potências”.
“Nós resolvemos decidir que esse país não adotará mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas também não somos piores. Nós queremos respeitar todo mundo, mas nós também queremos respeito”, disse Lula.
EUA propõem novo tarifaço ao Brasil
Dias após a visita do senador Flávio Bolsonaro ao presidente dos EUA, Donald Trump, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) divulgou recomendações para a Casa Branca taxar em até 25% uma lista de produtos brasileiros.
O texto publicado nesta segunda-feira (1º) cita “atos onerosos” brasileiros relacionados ao “comércio digital e serviços de pagamento eletrônico; tarifas injustas e preferenciais; aplicação das leis anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal” como justificativas para enquadrar Brasília nas sanções da Lei de Comércio americana.
O órgão, porém, lista diversos produtos que estariam fora das sanções, como carne bovina, café, diversas frutas e verduras, além de minerais e metais como carvão, cobalto, níquel e alumínio.
A decisão é tomada no contexto de uma decisão judicial que proibiu Trump de aplicar seu “tarifaço” de forma indiscriminada. Uma tarifa global de 10% é atualmente imposta contra o Brasil e diversos países. A sanção não é automática e depende do aval da Casa Branca.
- Band.com
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