Ministro da Fazenda fala em tratar bets como cigarro e defende tributação: “atrapalha a vida das pessoas”

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, falou que o governo Lula vai tratar as bets como cigarro e defendeu a tributação contra essas empresas. A fala aconteceu no evento Expert XP, que ocorre em São Paulo, com participação do Portal Correio como convidado.
Na fala, o ministro lembrou que as bets tiveram autorização para funcionar no país em 2018, no fim do governo Temer, mas precisavam ser regulamentadas. Ele também citou que o governo Bolsonaro não regulamentou o funcionamento, que ficou para o governo Lula.
O ministro também argumentou que as bets estão agindo economicamente em diversos setores da economia e esse fator é um dos principais para que o Congresso não queira proibir o funcionamento dessas empresas.
“Assumimos em 2023 com esse baita desafio [regulamentar as bets]. Você fala com uma série de emissoras e rádios e eles dizem que a receita de publicidade é fundamental para seguir operando. O setor de publicidade reconhece o peso. Os 20 clubes da Série A tem patrocínio master de bets. O Congresso Nacional não topa voltar atrás e proibir bets. Dado esse cenário, qual a melhor resposta do meu ponto de vista? Nós temos que tratar bets igual cigarro. A gente cresceu vendo Fórmula 1 com propaganda de cigarro e hoje não tem isso mais e o consumo de cigarro caiu”, afirmou o ministro.

Ainda segundo o ministro, o governo defende que as bets informem todas as apostas realizadas pelo seus apostadores, por CPF de cada um. O objetivo é ter um cenário de quantas e quais pessoas estão viciadas em apostas e como o governo pode agir para ajudá-las.
“As empresas que operam têm que informar para o governo toda aposta, por CPF das pessoas, de modo que a gente consiga chegar para o Ministério da Saúde e dizer que temos alguns apostadores contumazes no país. Vamos fazer um trabalho para essas pessoas pararem de apostar”, relatou Dario Durigan.
Dario relembrou que o governo já realizou medidas para combater o uso indevido de dinheiro de benefícios sociais com apostas esportivas.
“Proibimos o mercado creditivo, que chamo de bet 2.0. Quem recebe benefício social hoje não pode apostar em bets. Quem se diz endividado e vai para o Desenrola não pode apostar em bets. Dada a realidade e o descaso que a gente viu. [Bets] têm que pagar tributo. É justo. Eles incentivam um mecanismo que atrapalha a vida das pessoas. Já estamos vendo uma diminuição e tem um botão de autoexclusão que chega a um milhão de pessoas que falaram que quer sair. Pede para o governo e a gente derruba todas as contas dessas pessoas nas casas de apostas”.
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