Israel x Irã: os sinais de que os EUA podem entrar no conflito e os possíveis impactos para o mundo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou a reunião do G7 no Canadá antes do previsto para tratar do conflito entre Israel e Irã. Já em Washington, nesta terça-feira (17), o norte-americano se reuniu com membros do Conselho de Segurança Nacional e deu sinais de que poderia entrar diretamente no confronto.
▶️ Contexto: Israel e Irã trocam ataques desde sexta-feira (13). Militares israelenses anunciaram uma operação para destruir alvos nucleares iranianos. Teerã retaliou lançando mísseis contra cidades como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. Mais de 500 pessoas morreram, entre civis e militares, nos dois países, segundo o grupo Human Rights Activists. Oficialmente, o conflito deixou 248 vítimas.
🤝 Os Estados Unidos apoiam Israel. Em fevereiro, Trump retomou a política de “pressão máxima” contra o Irã, tentando forçar o país a negociar um novo acordo que impedisse o desenvolvimento de armas nucleares.
- Trump já havia declarado que, se as negociações fracassassem, poderia atacar o Irã com o apoio de Israel.
- Apesar disso, sobre os ataques lançados por Israel na sexta-feira, o governo americano afirmou que não participou da operação.
👀 Sinais: Nas últimas horas, o tom da Casa Branca mudou. O retorno antecipado do G7 marcou esse giro na postura. O próprio Trump, em mensagens públicas, indicou que os EUA podem se envolver diretamente no conflito.
- Em uma rede social, Trump usou a palavra “nós” — em provável referência à aliança com Israel — ao afirmar que “já tinha o controle do céu do Irã”.
- O presidente disse ainda saber onde o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, estaria escondido e escreveu que não o mataria “por enquanto”, mas que a paciência estava chegando ao fim.
- Por fim, Trump exigiu uma rendição incondicional do Irã.
- Os Estados Unidos também enviaram mais caças para o Oriente Médio e reforçaram a presença militar na região. Além disso, segundo a Reuters, um grande número de aeronaves americanas saiu da Europa em direção ao Oriente Médio.
🔎 Maurício Santoro, doutor em Ciência Política pelo IUPERJ e colaborador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, avalia que o reforço militar sinaliza uma possível entrada dos EUA no conflito.
“Se os americanos, de fato, se juntarem na guerra contra o Irã, vai ser um aumento muito grande da escala desse conflito”, afirma.
🔎 Já para Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, a entrada dos EUA pode provocar um conflito ainda mais sangrento, com mortes de civis.
“O que a gente observa que os Estados Unidos são os únicos atores competentes que teriam o poder num contexto mundial para neutralizar o programa nuclear iraniano, já que possuem artilharia para tanto, diferentemente de Israel.”
Como seriam os EUA no conflito?
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O presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: Ken Cedeno/Reuters
A movimentação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio é vista por especialistas como um indicativo claro de que Washington pode estar se preparando para entrar diretamente no conflito entre Israel e Irã.
Para o professor Maurício Santoro, os sinais vão além de uma simples demonstração de força. Os deslocamentos de tropas, os tipos de armamentos enviados e o uso de navios especializados em desminagem sugerem uma preparação concreta para o combate.
🔎 Segundo o professor, mesmo que a movimentação seja uma forma de o governo americano pressionar o Irã, trata-se de “um teatro bem caro e expressivo”.
- Santoro acredita que os EUA demonstram estar se preparando para a batalha, inclusive com a possibilidade de um conflito naval no Golfo Pérsico.
- Em caso de um embarque no conflito, o poder militar dos Estados Unidos traria um peso diferente às tensões.
- Somente os americanos, por exemplo, possuem bombas capazes de destruir bunkers do Irã onde estão centros de enriquecimento de urânio.
- Um ataque a essas estruturas subterrâneas representaria um duro golpe no programa nuclear do Irã e é visto como essencial para que Israel consiga atingir seus objetivos no conflito.
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