Roblox, Discord, YouTube e mais: redes adotam verificação de idade com selfie após pressão; veja como funciona

Em meio à pressão por medidas para garantir mais segurança a crianças e adolescentes, plataformas anunciaram que poderão exigir uma verificação de idade com selfie ou documentos de identificação dos usuários.
O anúncio mais recente foi feito pelo aplicativo de mensagens para gamers Discord. O serviço disse na última segunda-feira (9) que, a partir de março, todos os usuários poderão passar pela verificação ao tentar alterar configurações de segurança ou acessar conteúdos sensíveis em canais e servidores.
O YouTube e a OpenAI, dona do ChatGPT, anunciaram em janeiro a adoção de um sistema de previsão que visa identificar menores de idade em todos os países e aplicar proteções adicionais. O TikTok também começou a fazer a verificação, mas, por enquanto, apenas na Europa.
Ainda em janeiro, a plataforma de jogos Roblox passou a exigir verificação de idade para permitir o acesso ao chat. A decisão gerou protestos virtuais dentro do jogo, com “cartazes” que se tornaram memes como “Quero injustiça”.
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Crianças protestam no Roblox contra restrição do uso do chat — Foto: Reprodução/X
As medidas estão sendo adotadas após vários países intensificarem as discussões sobre restringir o acesso de crianças e adolescentes a redes sociais. A Austrália, por exemplo, proibiu menores de 16 anos de acessarem serviços como Instagram, Facebook, TikTok e YouTube.
Nos Estados Unidos, a Meta, dona do Instagram e do Facebook, e o Google, dono do YouTube, estão enfrentando processos sobre danos causados à saúde mental de crianças. Pela primeira vez, as empresas vão enfrentar um júri popular em um caso sobre vício em plataformas.
A OpenAI também passou a enfrentar em 2025 acusações de que o ChatGPT incentivou o suicídio de adolescentes nos Estados Unidos, em vez de adotar meios para impedir sua inteligência artificial de gerar esse tipo de conteúdo.
O Roblox é alvo de denúncias no Brasil sobre a atuação de aliciadores de menores na plataforma, apontou o Fantástico. A plataforma disse que suas medidas de segurança vão muito além do que outras plataformas fazem.
No Brasil, plataformas deverão verificar a idade de usuários se puderem ter conteúdo impróprio para menores de 16 anos. A medida está prevista no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que começará a valer em março.
“A verificação de idade é um dos principais pontos do ECA Digital, e há uma preocupação gigantesca em estabelecer um equilíbrio entre a precisão do método e a proteção da privacidade dos dados”, disse
Como funciona a verificação de idade?
Não existe um método único para uma plataforma descobrir ou ao menos chegar à idade aproximada de uma pessoa.
Já o Roblox e o Discord fazem a verificação quando os usuários tentam acessar recursos que possam colocar sua segurança em risco.
As plataformas costumam aceitar diferentes meios de verificação:
- 🤳 Selfie para estimar a idade;
- 💳 Autorização por cartão de crédito para comprovar maioridade, sem cobrança;
- 🪪 Documento de identidade para confirmar a data de nascimento.
O Roblox e o ChatGPT usam uma ferramenta da empresa americana Persona. Já o TikTok usa a da britânica Yoti, a mesma usada em alguns países por Instagram e Facebook. O Discord, por sua vez, adotou o mecanismo da singapurense k-ID.
A Persona explica que sua ferramenta usa algoritmos que analisam características do rosto, como a distância entre os olhos e o formato do nariz, para comparar a selfie com a foto de um documento de identidade.
A empresa afirma que, para evitar fraudes, não aceita selfies tiradas anteriormente. Mas admite que não está imune a falhas, apontando deepfakes como um “desafio significativo”.
“Por esses motivos, é crucial que seus processos de verificação de identidade incluam uma variedade de verificações de deepfake, tanto visuais quanto não visuais”, orienta a Persona aos seus clientes.
A Yoti transforma cada ponto da selfie do usuário em um valor numérico. Uma IA treinada com milhões de imagens de rostos para identificar padrões de idade analisa esses valores e, então, gera uma estimativa de idade.
Como a estimativa tem uma margem de erro, a empresa pode exigir uma verificação adicional com um documento se a idade estiver abaixo do nível mínimo de segurança definido pela plataforma.
O k-ID diz que processa a imagem no próprio dispositivo, dispensando o envio a um servidor para evitar o risco de vazamentos. E diz que pode confirmar a idade se o usuário já tiver sido verificado em uma plataforma parceira.
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Jovem usa o celular em Sidney, na Austrália; país aprovou lei que proíbe acesso de menores de 16 anos às redes sociais — Foto: Hollie Adams/Reuters
O Yoti tem erro médio inferior a 2 anos ao estimar a idade de pessoas entre 13 e 20 anos, mas, para usuários de 10 a 12 anos, a variação é de 3,2 anos. O Persona tem margem de erro de até 3,3 anos e menos precisão entre usuários abaixo de 13 anos.
O que explica essa diferença é a disponibilidade menor de dados de crianças para treinar IAs e as rápidas mudanças faciais na infância e na adolescência, explicam os autores do levantamento.
A expectativa é de que os métodos e as leis sobre uso de redes por crianças e adolescentes precisem ser revisadas com frequência, mas a adoção de novas camadas de proteção já é um avanço, avaliou Laís Peretto, da Childhood Brasil.
Precisão menor com crianças
O Persona e o Yoti são considerados serviços seguros e com padrões internacionais de privacidade, mas estão sujeitos a falhas de verificação que permitem o acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inapropriados.
Foi o que indicou o estudo Teste de Tecnologia de Garantia de Idade, financiado pelo governo da Austrália e publicado em agosto de 2025.
A análise envolveu serviços de 48 fornecedores de serviços de verificação de idade, sem incluir o k-ID. E apontou que o Persona e o Yoti estão entre os serviços que apresentam uma precisão menor ao estimar a idade de usuários mais jovens.




