Estreito de Ormuz volta a ter movimentação intensa após trégua; VEJA

Apenas algumas horas após entrar em vigor o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, a movimentação de navios pelo Estreito de Ormuz já havia crescido.
Sites de monitoramento do transporte marítimo mostravam a circulação de dezenas de embarcações pelo estreito na manhã desta quarta-feira (8).
➡️ O cessar-fogo a que ambas as partes chegaram na terça prevê uma pausa nos ataques ao território iraniano durante duas semanas. Em troca, o Irã se comprometeu a reabrir o Estreito de Ormuz.
➡️ Embora tenha alcançado o acordo de cessar-fogo, o Irã afirmou que segue de prontidão para agir em caso de ataque.
➡️ Durante a trégua, delegações dos Estados Unidos e do Irã vão se reunir no Paquistão para negociar um fim definitivo da guerra entre os dois países.
A movimentação foi registrada pelo site de monitoramento Vessel Finder (veja acima).
‘Mãos no gatilho’
A Guarda Revolucionária afirmou que está “com as mãos no gatilho” para bombardear vizinhos caso haja uma nova ofensiva por parte dos EUA e Israel durante o período de trégua, de acordo com a agência de notícias Tasnim.
Ainda de acordo com a Tasnim, agência associada à Guarda Revolucionária, as forças iranianas seguem “prontas para agir a qualquer ataque com mais força”.
A reunião para discutir o fim definitivo da guerra entre os países ocorrerá na sexta-feira (10) e foi anunciada pelo primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atua como mediador do conflito. As negociações ocorrerão na capital paquistanesa Islamabad.
Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, e o chanceler do Irã, Abbas Araghchi, o acordo de não agressão terá uma validade de duas semanas. Durante o período, o Estreito de Ormuz permanecerá aberto. Leia mais abaixo.
O ministro iraniano também declarou que os Estados Unidos pediram negociações com base em uma proposta de 15 pontos e aceitaram o plano de 10 pontos do Irã como base para o diálogo. As conversas devem começar na sexta-feira (10), no Paquistão.
A TV estatal do Irã classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e disse que os EUA aceitaram os termos de Teerã. A mídia iraniana também afirmou que a trégua não representa o fim da guerra.
Segundo Teerã, a proposta de paz enviada pelo país exige o fim das sanções dos EUA contra o Irã, o pagamento de compensação integral e a liberação de todos os ativos iranianos congelados.
Segundo a agência Mehr, do governo iraniano, os 10 pontos que Teerã apresentou aos EUA são:
- Não agressão;
- Permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz;
- Aceitação do enriquecimento de urânio por parte do Irã;
- Suspensão de todas as sanções primárias ao Irã;
- Suspensão de todas as sanções secundárias ao Irã;
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Segurança da ONU;
- Revogação de todas as resoluções do Conselho de Governadores da AIEA;
- Pagamento de indenização ao Irã;
- Retirada das forças de combate dos EUA da região;
- Cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Tensões
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Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz — Foto: Reuters
As ameaças de Trump elevaram a tensão na comunidade internacional e levantaram alertas sobre possíveis crimes de guerra em caso de ataques dos Estados Unidos a alvos civis iranianos. O impasse também aumentou o temor de uma escalada no conflito, com possíveis impactos globais.
- Um eventual ataque dos EUA a usinas iranianas poderia interromper o fornecimento de energia para milhões de pessoas e provocar um colapso elétrico e econômico no país.
- Também havia temores de que ataques a instalações nucleares provoquem um acidente radiológico grave, com impactos que poderiam ultrapassar as fronteiras do Irã.
- O governo iraniano indicou que poderia retaliar bombardeando usinas de energia de países vizinhos, incluindo refinarias de petróleo, o que poderia pressionar ainda mais os preços.
- Teerã também afirmou que poderia atingir usinas de dessalinização em países do Golfo, colocando em risco o abastecimento de água para milhões de pessoas na região.
Horas antes do prazo dado por Trump expirar, bombardeios foram registrados no Oriente Médio. Os Estados Unidos atacaram a estratégica ilha de Kharg, que concentra cerca de 90% do petróleo produzido no Irã, mas poupou áreas petrolíferas.
Já Israel afirmou ter realizado “amplos ataques” no território iraniano, atingindo pontes, ferrovias, aeroportos e edifícios. Entre os alvos está uma ponte em Qom, uma das maiores cidades do país. Uma petroquímica também foi atingida.
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