El Niño: saiba como o fenômeno ajudou a formar três furacões ao mesmo tempo no Oceano Pacífico

O El Niño ajudou a criar as condições para a formação de três furacões simultâneos no Oceano Pacífico, em um episódio raro registrado no início deste mês. De acordo com informações publicadas pelo R7, os fenomenos foram impulsionados pelo aquecimento anormal das águas.
Nomeados como Lowell, Karina e Marie, eles se desenvolveram em uma região que vem apresentando atividade acima da média em 2026. Imagens feitas por satélites da Nasa mostram os três sistemas tropicais atuando ao mesmo tempo no Pacífico.
De acordo com o portal, o El Niño, registrado a cada dois a sete anos, acontece quando há um aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Pacífico. Esse aquecimento fornece mais energia e umidade para os sistemas de tempestade, criando um ambiente mais favorável para que ciclones tropicais se formem e ganhem força.
Segundo a Nasa, em 2026, este fenômeno contribuiu para que a atividade de furacões no Pacífico Oriental ficasse acima do padrão. Até o início de setembro, a região já havia registrado 15 tempestades nomeadas e seis furacões, números superiores ao esperado para essa época do ano.
O fenômeno também influencia a circulação atmosférica. Enquanto o El Niño tende a favorecer uma maior atividade de furacões no Pacífico, no Atlântico o fenômeno costuma dificultar a formação desses sistemas. Esse comportamento ajuda a explicar o contraste registrado neste ano: enquanto o Pacífico enfrentava uma sequência de tempestades, o Atlântico permanecia relativamente tranquilo.
A presença de águas mais quentes, aliada a condições atmosféricas favoráveis, contribuiu para o desenvolvimento de Lowell, Karina e Marie em um curto período. A formação simultânea dos três sistemas no Pacífico não era registrada desde 2015, quando Kilo, Ignacio e Jimena foram observados ao mesmo tempo na região.
A ocorrência de três furacões ativos simultaneamente é considerada “definitivamente rara de observar”, segundo a climatologista Julia Cole, da Universidade de Michigan, em declaração à agência AFP.
A especialista explica ainda que o aquecimento provocado pelo El Niño favorece a formação dessas tempestades, que têm as águas quentes como uma de suas principais fontes de energia.
Estado de emergência no Havaí
Dos três furacões, Lowell foi o que atingiu maior intensidade. De acordo com a Nasa, o sistema chegou à categoria 5 por algumas horas em 2 de setembro, antes de começar a perder força. Karina também ganhou intensidade e alcançou a categoria 4, enquanto Marie ainda se fortalecia no momento em que a imagem de satélite foi registrada.
A passagem dos sistemas também gerou preocupação no Havaí. Lowell avançou pelo Pacífico em direção ao arquipélago e levou à declaração de estado de emergência, além de alertas para ventos fortes, chuvas intensas e ondas perigosas.
O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos informou neste domingo (6) que Lowell seguia na categoria 3, com ventos sustentados de aproximadamente 201 km/h. A previsão é de que o furacão continue perdendo força e esteja próximo da categoria 2 ao passar pelo Havaí.
A previsão indica que o centro do furacão deve passar a cerca de 190 km a oeste de Niihau e 260 km a oeste de Kauai entre o fim da noite de segunda-feira e a manhã de terça-feira. A distância deve manter os ventos mais fortes afastados da costa, mas o arquipélago ainda poderá registrar ondas perigosas e chuvas intensas associadas à passagem de Lowell.
Este é o terceiro sistema tropical a atingir ou ameaçar o Havaí em pouco mais de três semanas.
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