
A China ampliou sua influência sobre países vizinhos em meio à escassez de combustíveis provocada pela guerra no Irã, iniciada em 28 de fevereiro.
Desde o início do conflito, Pequim passou a restringir a exportação dos derivados de petróleo, aumentando a pressão sobre países asiáticos que dependem de suas refinarias para o abastecimento de combustível de aviação, gasolina e diesel.
Maior importador mundial de petróleo bruto, o país também acumulou grandes reservas e investiu centenas de bilhões de dólares em tecnologias de energia limpa. Segundo o The New York Times, governos de toda a Ásia têm recorrido à China para mitigar os impactos da guerra. As conversas incluem autoridades das Filipinas, Austrália, Vietnã, Camboja, Laos, Tailândia, Mianmar e Bangladesh.
As negociações, acrescenta o NYT, resultaram em garantias por parte de Pequim para lidar com questões de segurança energética regional, além de compromissos de outros países em avançar no diálogo diplomático com Pequim. A diplomacia manteve parte do fluxo de combustível chinês, ajudando a Ásia a evitar pioras no cenário.
Influência global
Por anos, a China utilizou seu poder econômico e tecnológico para ampliar sua influência global por meio da Iniciativa do Cinturão e Rota, destinando cerca de US$ 1 trilhão a empréstimos e projetos de infraestrutura. No entanto, a guerra no Irã, destaca o The New York Times, abriu espaço para que essa influência fosse ampliada de outra forma, reduzindo os riscos reputacionais associados a empréstimos a países endividados.
As exportações chinesas de alguns derivados de petróleo continuaram no primeiro mês da guerra, embora especialistas ouvidos pela publicação alertassem que os números podem variar significativamente. As exportações de combustível de aviação para o Vietnã aumentaram 34%, enquanto as de fertilizantes para as Filipinas subiram 33%. Já as de diesel destinadas ao país tiveram um salto de 187% em março, em comparação com o mês anterior.
As economias asiáticas ainda enfrentam os impactos do conflito. Ao mesmo tempo, o jornal americano destaca que a continuidade de embarques de alguns produtos energéticos chineses trouxe alívio, evidenciando como Pequim utiliza incentivos em períodos de crise para fortalecer suas relações diplomáticas.
Além disso, o conflito possibilitou que a China ampliasse sua presença no setor de energia renovável na região. O país domina a fabricação de equipamentos para energia solar, eólica, redes inteligentes e veículos elétricos, e suas exportações desses produtos seguem em crescimento.
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