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Chá literário estimula leitura, criatividade e até novos autores mirins, em escola de João Pessoa

O primeiro “era uma vez” de uma criança é muito mais do que uma história para dormir. É naquele momento, quando a voz de alguém querido embala o sono por meio da leitura, que se vivem as maiores aventuras de toda a infância.

Desde os laços de fita no cabelo de uma menina bonita até um elefante que foi engolido por uma jiboia, as páginas da ficção se traduzem em brincadeiras, ‘faz de contas’, criações artísticas e até ideias incomuns para resolução de problemas cotidianos.

Foi esse entendimento que levou Juliana Aquino, bibliotecária em uma escola de João Pessoa, a criar um projeto para incentivar a leitura e a criatividade nos alunos, onde eles mesmos podem se tornar parte das suas histórias favoritas.

A terceira edição do projeto abordou um gênero pouco convencional entre crianças: o terror. E, para essa reunião assombrosa, muitos ícones da cultura popular, tais como bruxas, criaturas fantásticas e o próprio Drácula, que compareceram para tomar um chá na biblioteca da escola.

Mas, apesar do engajamento dos estudantes com o tema, Juliana conta que nem sempre foi assim e que o público vem crescendo ao longo das realizações.

“Eles querem vestir o personagem, eles querem participar, eles leem o livro a semana toda pra falar aqui. (…) Na primeira edição que a gente teve, eles ficaram com um pouco mais de vergonha de apresentar o personagem, mas eu vim conversando com eles. (…) Aí na segunda edição já vieram e na terceira alguns ainda estão bem envergonhados, mas pode ver que a maioria já participa.”

Entre os mini leitores, que são parte de turmas desde o ensino fundamental até o ensino médio, personalidades conhecidas se destacam, como é o caso de Hermione Granger, ou melhor, a Ana Beatriz, que se fantasiou da personagem após ler o livro Harry Potter e a Pedra Filosofal.

(Foto: Vitor Oliveira/Portal Correio)

A menina, que se vestiu igual à bruxa, dos pés à cabeça, conta que escolheu o livro por influência do irmão. Ela fala que, depois de assistir o filme, acabou lendo o livro, e ele se tornou seu preferido.

“Eu já participei de outro chá literário aqui na biblioteca, esse é o segundo que eu participo. Tá sendo muito boa a experiência. (…) O Chá Literário me influenciou muito a ler mais livros também, começar a ter mais criatividade, a entender mais o que eu estava lendo” disse a garota sobre o evento.

Outro personagem que apareceu entre os alunos foi o terrível Conde Drácula, interpretado por Nicolas, aluno do terceiro ano do fundamental, que escolheu um livro sobre vampiros após assistir um filme no cinema com o pai. O menino também contou que é muito assíduo na biblioteca e que ainda pretende ler muitos outros livros.

(Foto: Vitor Oliveira/Portal Correio)

“Ano passado, eu recebi um certificado de mais leitura do mundo. Eu li praticamente 80 livros. Eu li 89 livros, só faltava mais um para dar 90. Daí, toda vez quando eu tava chateado, eu vinha aqui (na biblioteca), pegava um livro e lanchava aqui, lendo o livro.”

E o projeto não afetou apenas o hábito de leitura dos estudantes, mas também incentivou alguns deles a criar as suas próprias histórias. Esse foi o caso de Pedro, um menino cheio de ideias que não se contentou em apenas ler um dos livros recomendados, mas como também decidiu escrever o próprio.

O garoto, inspirado pelo desejo de deixar sua marca na biblioteca, criou a história e alguns desenhos e, com a ajuda da mãe, produziu uma peça piloto do livro.

(Foto: Vitor Oliveira/Portal Correio)

Já para a jovem Mayza, uma estudante do ensino médio, o projeto foi uma conexão com a criação que recebeu dos pais, que sempre incentivou a leitura durante o crescimento. Ela conta que, desde pequena, tinha muita conexão com os livros e que as palavras a fizeram conhecer mais de si e entender o mundo ao seu redor.

“Acredito que a leitura leva você a imaginar e te leva a outros lugares sem que você saia do lugar. Sem falar que seu vocábulo melhora muito. (…) O livro é uma oportunidade de conhecer não só o que você gosta mas, principalmente, o que você pode conhecer do outro.”

A adolescente ainda disse que chegou a publicar um livro, aos 10 anos, através de um projeto da escola. Ela também escreveu muitas histórias durante a pandemia do Covid-19, mas hoje prefere escrever poemas e pretende manter a escrita como parte da sua rotina.

O engajamento dos alunos com o projeto tem, sem dúvida, crescido ao longo das edições, que já abordaram contos de fadas e literatura romântica, e vem gerando resultados no desenvolvimento dos estudantes.

De acordo com suas idades, eles falaram sobre livros como CrepúsculoHarry Potter, O Homem de Giz e até clássicos da literatura, como alguns contos de Edgar Allan Poe. Compartilhando experiências e absorvendo novas referências.

Com os olhos brilhando de empolgação, é nesse espaço que os alunos iniciam suas jornadas rumo ao desconhecido. As vírgulas e os pontos passam a conduzir o fluxo das narrativas, enquanto seguem guiados pela esperança de encontrar o desejado “felizes para sempre”.

 

PORTALCORREIO

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