Anvisa aprova novo medicamento para enxaqueca
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta semana o registro de um novo medicamento voltado para a prevenção e o tratamento de crises de enxaqueca em adultos. A aprovação é vista como um avanço científico, uma vez que o fármaco atua diretamente no mecanismo neurológico causador da dor, oferecendo uma nova alternativa para pacientes que sofrem com a doença crônica.
A enxaqueca é uma condição genética que, até o momento, não possui cura, mas cujo tratamento pode devolver qualidade de vida ao paciente. Segundo especialistas, o cérebro de quem sofre com o distúrbio produz um excesso de neurotransmissores — entre eles o CGRP — responsáveis por enviar ao corpo o sinal de dor.
O novo medicamento atua de forma específica nas células, conectando-se aos receptores desse neurotransmissor e bloqueando a transmissão do sinal doloroso. A grande inovação clínica deste remédio reside na sua dupla funcionalidade: ele tem capacidade de agir tanto de forma preventiva, reduzindo a frequência dos episódios, quanto durante as crises agudas.
Impacto da enxaqueca no Brasil
A enxaqueca é classificada como uma das doenças mais incapacitantes do mundo, segundo dados do Ministério da Saúde. Os sintomas são frequentemente severos, incluindo náuseas intensas e intolerância severa à luz e a ruídos, o que impede que o paciente realize tarefas básicas do cotidiano. No Brasil, o problema afeta mais de 31 milhões de pessoas.
Desafio do custo elevado
Apesar do otimismo com a eficácia clínica, o acesso ao tratamento no mercado nacional enfrenta uma barreira significativa: o preço. O medicamento já é utilizado nos Estados Unidos, mas o custo é elevado. A embalagem com oito comprimidos custa cerca de 1.300 dólares, valor equivalente a aproximadamente 6,5 mil reais, sem considerar as taxas adicionais de importação.
Para pacientes que necessitam do tratamento preventivo, a indicação médica pode sugerir o consumo de duas caixas por mês, o que tornaria o custo mensal do tratamento extremamente proibitivo para a grande maioria da população brasileira. Até o momento, não há previsão de quando o produto chegará efetivamente ao mercado nacional ou se haverá políticas públicas para facilitar o acesso de pacientes.
- BAND.COM.BR
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