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Trump lança oficialmente ‘Conselho da Paz’ em Davos com críticas à ONU: ‘Eu nunca nem falei com eles’

Com críticas à Organização das Nações Unidas (ONU) e um plano para reconstruir a Faixa de Gaza com uma fila de arranha-céus, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump, lançou oficialmente nesta quinta-feira (22) seu “Conselho da Paz”.

➡️ Criado por seu governo para supervisionar a paz na Faixa de Gaza e reconstruir o território palestino, a estrutura é vista por parte da comunidade internacional com uma tentativa de esvaziar a ONU.

Em cerimônia dentro do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Trump disse que seu conselho terá aval “para fazer tudo o que quisermos” não só em Gaza, e seu governo também apresentou um plano de reconstrução que chamou de “Nova Gaza” (leia mais abaixo).

Cerca de 30 dos 60 líderes mundias que aceitaram participar do conselho — o presidente Lula foi convidado para integrar o Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Já o presidente argentino, Javier Milei, participou da cerimônia desta quinta.

Em discurso na cerimônia, Trump disse ser um “dia muito empolgante” e voltou a criticar a ONU — que críticos dizem que Trump quer substituir com a crianção de seu “Conselho da Paz”.

“Eu nunca nem falei com a ONU. Eles tinham um potencial tremendo”, afirmou Trump. No entanto, ele disse que seu conselho dialogará “com muitos outros, incluindo a ONU”. 

A proposta de Trump é que o conselho não se dedique apenas a Gaza, mas que comece pelo território palestino, que ele disse que será “desmilitarizado e lidamente reconstruído”.

Líderes que participaram

 

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante o lançamento de seu "Conselho da Paz", em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Denis Balibouse/ Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante o lançamento de seu “Conselho da Paz”, em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Denis Balibouse/ Reuters

Na ocasião, o presidente norte-americano assinou um documento que formaliza o conselho. Também assinaram outros membros do grupo convidados por Trump e que estavam no palco. Entre eles:

  • O presidente da Argentina, Javier Milei;
  • O presidente do Paraguai, Santiago Pena
  • O presidente do Azerbaijão, Ilham Aliye;
  • O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán;
  • O presidente da Indonésia, Prabowo Subianto;
  • A presidente do Kosovo, Vjosa Osmani.

 

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também discursou na cerimônia e disse que o conselho será “um conselho não só da paz, mas da ação”.

‘Nova Gaza’

 

Parte do plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza, apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Reprodução/ g1

Parte do plano dos Estados Unidos para a reconstrução da Faixa de Gaza, apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 22 de janeiro de 2026. — Foto: Reprodução/ g1

Na mesma cerimônia, o conselheiro de Trump Jared Kushner, também genro do presidente norte-americano, apresentou o plano dos Estados Unidos de reconstrução da Faixa de Gaza.

Entenda

 

➡️ O Conselho da Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.

De acordo com o estatuto do conselho obtido pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo e amplos poderes. Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,37 bilhões). Os recursos serão administrados pelo presidente dos EUA.

A comunidade internacional, no entanto, teme que o Conselho de Paz vire uma espécie de “ONU paralela” e enfraqueça o papel da Organização das Nações Unidas.

1. O que é o Conselho da Paz?

 

A criação do conselho estava prevista na segunda fase do acordo de paz mediado pelos EUA e assinado por Israel e pelo grupo terrorista Hamas, em outubro do ano passado.

O plano de paz, divulgado pela Casa Branca no fim de setembro, tem 20 pontos e prevê a Faixa de Gaza como uma zona livre de grupos armados e sob o comando de um governo de transição, formado por um comitê palestino tecnocrático e apolítico, que será supervisionado pelo conselho.

2. Como a Casa Branca diz que irá funcionar?

 

O conselho, que terá um papel consultivo, vai assessorar o comitê responsável pela administração provisória da Faixa de Gaza, que iniciou seus trabalhos neste mês, no Cairo, sob o comando do ex-vice-ministro palestino Ali Shaath e de outros 14 membros.

A entidade “ajudará a apoiar uma governança eficaz e a prestação de serviços de alto nível que promovam a paz, a estabilidade e a prosperidade do povo de Gaza”, anunciou a Casa Branca.

A proposta, no entanto, é vista com receio pela comunidade internacional e recebeu críticas de diplomatas e de analistas.

“É uma daquelas iniciativas que a gente fica se perguntando: quem é que planejou isso? E quem é que pensou que isso ia dar certo? Muitos analistas, e eu me incluo entre eles, estão absolutamente céticos sobre o que poderá acontecer com esse conselho”, avaliou o apresentador Marcelo Lins, no programa GloboNews Internacional neste domingo (18).

3. E como fica a ONU?

 

De acordo com fontes diplomáticas ouvidas pela Reuters, há uma grande preocupação, principalmente entre os governos europeus, de que o conselho prejudique a ONU.

“É uma ‘Nações Unidas de Trump’ que ignora os princípios fundamentais da Carta da ONU”, disse um deles. 

O rascunho do estatuto do Conselho de Paz faz uma crítica velada às Nações Unidas falando que “um organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz” é necessário e que é preciso “coragem de abandonar abordagens e instituições que falharam com demasiada frequência”.

Para Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a estrutura proposta por Trump reúne uma série de falhas e concentra poder demais em uma única liderança, que seria a do próprio presidente dos Estados Unidos.

“Há um temor real de que o Conselho se torne uma espécie de ONU paralela, controlada pelos Estados Unidos.”, afirma Stuenkel. 

4. Quem vai presidir o Conselho da Paz?

 

Donald Trump será o presidente inaugural. Com amplos poderes, ele terá a palavra final em votações, pode escolher os países que deseja convidar e também pode revogar a participação de quem o desagradar.

De acordo com o projeto de estatuto do conselho, quem quiser fazer parte do grupo exercerá mandatos de três anos, mas uma taxa bilionária garante a permanência fixa.

“Cada Estado-membro cumprirá um mandato de no máximo três anos a partir da data de entrada em vigor desta Carta, renovável pelo presidente. Este mandato de três anos não se aplicará aos Estados-membros que contribuírem com mais de US$ 1 bilhão em dinheiro para o Conselho da Paz no primeiro ano”, diz o documento. 

Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard

Trump com o secretário de Estado, Marco Rubio — Foto: Reuters/Nathan Howard

5. Quem faz parte do conselho executivo fundador?

 

Em comunicado na sexta-feira (16), a Casa Branca divulgou os nomes dos sete nomeados como membros fundadores do conselho. Os escolhidos por Trump foram:

  • Marco Rubio, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos
  • Tony Blair, ex-primeiro-ministro do Reino Unido
  • Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para a paz na Faixa de Gaza,
  • Jared Kushner, genro de Trump
  • Ajay Banga, o presidente do Banco Mundial
  • Marc Rowan, magnata financista americano
  • Robert Gabriel, fiel colaborador de Trump no Conselho de Segurança Nacional

 

As responsabilidades de cada membro do conselho ainda não foram divulgadas.

O presidente americano também designou o major-general americano Jasper Jeffers para dirigir a Força Internacional de Estabilização (ISF, na sigla em inglês) em Gaza.

6. Que países já confirmaram participação no conselho?

 

Nesta quarta-feira (21), a Casa Branca afirmou que 25 países já aceitaram o convite para integrar o Conselho da Paz . Entre eles estão:

  • Israel
  • Argentina
  • Arábia Saudita
  • Emirados Árabes Unidos
  • Bahrein
  • Jordânia
  • Catar
  • Egito
  • Turquia
  • Hungria
  • Marrocos
  • Paquistão
  • Indonésia
  • Kosovo
  • Uzbequistão
  • Cazaquistão
  • Paraguai
  • Vietnã
  • Armênia
  • Azerbaijão
  • Belarus

 

Trump também afirmou na quarta que Putin aceitou convite, mas o presidente russo afirmou que ainda estuda a proposta.

7. Quem mais foi convidado?

 

Segundo o governo dos Estados Unidos, convites foram enviados a lideranças de cerca de 60 países.

Até o momento, apenas a Noruega, a Suécia e a Itália se pronunciaram recusando o convite. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, disse que precisa de mais tempo para analisar a proposta antes de se comprometer como membro.

Outros países afirmaram ainda estar avaliando o que farão. Alguns deles são:

  • Brasil
  • Rússia
  • China
  • França
  • Canadá
  • Reino Unido
  • Alemanha
  • Japão
  • Ucrânia
  • Vaticano

8. Por que o convite do Trump é uma saia justa para Lula?

Convidado para integrar o conselho no sábado (17), Lula ainda não aceitou o convite. Só deve avaliar se aceita ou não na próxima semana, segundo fontes com conhecimento sobre o assunto.

A situação é uma saia justa para o presidente brasileiro, que, desde o início do conflito em Gaza, em outubro de 2023, tem reiterado críticas às operações militares de Israel no território palestino.

O presidente brasileiro defende a criação de um Estado palestino, essa posição, registrada em discursos, entrevistas e manifestações em fóruns internacionais, se choca com o convite feito por Trump.

Caso aceite integrar o conselho de paz, Lula poderá ser cobrado por coerência. Por outro lado, uma eventual recusa pode desagradar o presidente norte-americano e prejudicar a aproximação que ocorreu entre eles desde as negociações do tarifaço para produtos brasileiros exportados para os EUA.

9. E os palestinos?

Ate o momento, não está claro se os palestinos terão uma participação no conselho, o que levanta questões sobre a efetividade do novo órgão.

“Um conselho que não tem em sua composição nenhum palestino para falar sobre Gaza […] Deixa muitas dúvidas no ar, e mais do que dúvidas, desconfianças sobre qual o interesse e qual é o papel dos maiores interessados nisso, os palestinos”, avalia Marcelo Lins. 

G1

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