Quadrilhas juninas: do folclore às superproduções teatrais de hoje

De uma tradição aristocrática francesa a uma das expressões culturais mais marcantes do Nordeste brasileiro, as quadrilhas juninas são um espetáculo vibrante e cheio de energia que enriquece o período junino.
Quem não lembra da expectativa que existia nessa época do ano na escola? Os ensaios, a votação para saber quem seria o Rei e a Rainha do Milho… A quadrilha fez e ainda faz parte da vida de muitas crianças pelo seu caráter lúdico. Já com os adultos, movimenta um mercado de produção de fantasias e organização de campeonatos, que ainda assim mantém viva uma tradição que atravessa os séculos.
Origens da dança
A quadrilha tem origem nas danças de salão europeias, especialmente na “quadrille” francesa do século XVIII, uma dança aristocrática praticada em casamentos e festas da nobreza. Quando os portugueses colonizaram o Brasil, trouxeram consigo essa tradição, que foi adaptada pelo povo ao longo do tempo.
Inclusive, alguns dos termos usados para guiar os participantes durante a dança vêm do francês: “alavantu” vem de “en avant tous” (todos para frente, em português), e o “anarriê” é uma adaptação de “en arrière” (todos para trás).
Chegada ao Brasil e popularização
Durante o período colonial, a quadrilha começou a ser associada às festas de São João, São Pedro e Santo Antônio, que fazem parte do ciclo junino.
Com o tempo, elementos locais foram incorporados à dança, como trajes típicos caipiras, músicas regionais e o uso de instrumentos como sanfona, zabumba e triângulo.
No Nordeste, em particular, a quadrilha ganhou forte expressão popular, tornando-se um símbolo das festas juninas.
A quadrilha nordestina
No Nordeste, a quadrilha junina se desenvolveu como um espetáculo teatral dançado, com enredos, personagens (noivos, padre, delegado, etc.), coreografias complexas e narradores (marcadores) que conduzem a dança com falas ritmadas e humorísticas.
Ao longo das décadas, ela se afastou da simplicidade original e passou a ser planejada com meses de antecedência, envolvendo figurinos elaborados, cenários, roteiros e até ensaios diários.
A profissionalização e os campeonatos
A partir dos anos 1990, começaram a surgir festivais e campeonatos de quadrilhas juninas, como o Campeonato Paraibano de Quadrilhas, o Festival de Quadrilhas de Campina Grande, o Concurso Nacional de Quadrilhas Juninas e o Arraial do Pavulagem em Belém (PA). Essas competições avaliam quesitos como coreografia, figurino, enredo, sincronia e originalidade.

Com a profissionalização, as quadrilhas se tornaram verdadeiras companhias de espetáculo. Muitas delas contam com coreógrafos, figurinistas, diretores artísticos e equipes técnicas.
Investimento e economia criativa
As quadrilhas juninas de competição investem alto em suas apresentações. Estima-se que uma quadrilha de ponta pode gastar entre R$ 100 mil e R$ 400 mil por temporada, dependendo da estrutura, figurino, cenografia e deslocamento para apresentações em diferentes cidades e estados.
Boa parte dos recursos vem de patrocínios, apoio público, rifas, eventos beneficentes e contribuições da comunidade. Em contrapartida, essas quadrilhas movimentam o comércio local, geram empregos temporários e fortalecem o turismo cultural.
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