‘Foi desesperador’; professora intoxicada por mercúrio conta como gravou aluna colocando metal em garrafa de água

A Polícia de Civil de Pernambuco está na reta final da investigação de um caso de a intoxicação por mercúrio. A vítima é uma professora de artesanato, que gravou a sua garrafa de água sendo violada por uma aluna. Maria Aparecida Rodrigues de Araújo aparece nas imagens mexendo no recipiente e despejando um material. Análises confirmaram a presença do metal tóxico na água. A aluna é investigada por tentativa de homicídio.
A professora Denny conta que a rotina mudou completamente depois da intoxicação. Mesmo seguindo tratamentos médicos, afirma que ainda enfrenta dificuldades e tenta recuperar a autonomia.
Depois desse episódio, a professora retirou pequenas “bolinhas” da boca antes de engolir a água e decidiu instalar um celular escondido para gravar o que acontecia na sala.
As imagens registraram Maria Aparecida colocando um material dentro da garrafa. Ela aparece cortando um papel com uma tesoura, depositando o conteúdo na água, agitando a garrafa e saindo da sala.
Com os vídeos, Denny procurou a polícia. A garrafa foi encaminhada para perícia e, dois dias depois, a professora voltou ao curso com outro recipiente idêntico. Segundo ela, a suspeita repetiu o comportamento e voltou a ser filmada.
Os laudos periciais apontaram a presença de mercúrio nas duas garrafas analisadas. Exames também detectaram o metal no sangue e na urina da professora.
🔎O mercúrio é um metal altamente tóxico, proibido em termômetros no Brasil desde 2019, e pode provocar danos graves ao cérebro, além de atingir órgãos como rins, intestino e pele.
Exames confirmaram a presença do metal no sangue, na urina e na água consumida pela vítima. No sangue de Denny foram encontrados 21 mg — cerca de quatro vezes acima do limite considerado tolerável.
A polícia ainda tenta esclarecer por quanto tempo o mercúrio foi colocado na água. Denny afirma que os primeiros sintomas surgiram quase um ano antes das gravações. Como tem fibromialgia desde 2016, acreditou inicialmente que a piora do quadro estivesse relacionada à doença. Segundo ela, a própria reumatologista descartou essa hipótese ao perceber que os sintomas não eram compatíveis com a fibromialgia.
As gravações foram feitas nos dias 3 e 5 de junho de 2025. Mais de um ano depois, o inquérito ainda não foi concluído. O delegado responsável afirma que, embora as imagens e os depoimentos sejam relevantes, a investigação busca reunir mais elementos para comprovar a prática do crime. Já a defesa de Denny cobra mais rapidez e afirma que os laudos confirmando a presença de mercúrio ficaram prontos poucos dias após o início da apuração.
Segundo a polícia, Maria Aparecida nega as acusações. Em nota, a defesa informou que ela tem transtornos mentais, está sob cuidados médicos e não divulgará informações que possam interferir na investigação. O delegado afirma, porém, que até o momento não foram apresentados documentos que comprovem esse diagnóstico. A principal linha investigativa é de que o crime tenha sido motivado por ciúmes da amizade entre Denny e o namorado da investigada.
Enquanto aguarda a conclusão do inquérito, Denny tenta recuperar a vida que tinha antes da intoxicação. Ela diz que ainda não conseguiu encontrar profissionais especializados no tratamento de pacientes contaminados por mercúrio e afirma que as sequelas afetaram sua independência e sua qualidade de vida. Apesar das dificuldades, mantém a esperança de voltar a andar e realizar sozinha as atividades do dia a dia.
Professora de artesanato acusa aluna por intoxicação com mercúrio
Após um ano, investigação ainda não foi concluída; Polícia trabalha com a hipótese de tentativa de homicídio
G1




