
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/d/2/XhfAvJQBm0ByIG67m6AQ/2611b0d0-3e52-11f1-9679-171672b01c6d.jpg.webp)
O caso incomum da colombiana que ficou grávida de dois homens ao mesmo tempo — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Em 2018, uma mulher compareceu ao Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia com um pedido: ela teve dois filhos gêmeos dois anos antes e gostaria de confirmar sua paternidade.
O teste de rotina foi feito e repetido em seguida. O resultado foi tão surpreendente que era preciso ter certeza: os gêmeos eram filhos da mesma mãe, mas de pais diferentes.
Este é um fenômeno extremamente incomum, conhecido como superfecundação heteropaternal. Foram relatados cerca de vinte casos como este em artigos científicos, a nível mundial.
Os especialistas da universidade sabiam que era possível, mas nunca haviam presenciado um caso destes — o que, naturalmente, despertou seu interesse científico.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/M/4/YSxZkjQoKtjeSlQISVmg/e364f820-1ccb-11f1-940c-8d69ad1b5c3b.jpg.webp)
Os cientistas do Instituto de Genética da Universidade Nacional da Colômbia descobriram um caso de superfecundação heteropaternal — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Como foi a análise
Para determinar a paternidade de qualquer pessoa, os cientistas do Laboratório de Genética de Populações e Identificação da Universidade Nacional da Colômbia utilizam uma tecnologia conhecida como “marcadores microssatélites”.
A técnica consiste, resumidamente, na análise e comparação de minúsculos fragmentos de DNA da criança, da mãe e do suposto pai.
“Nós pegamos o DNA de cada um deles, observamos de 15 a 22 pontos, conhecidos como microssatélites, e os comparamos um a um”, explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) o professor William Usaquén, diretor do laboratório.
Mas este não é um processo simples, como colocar o DNA sob um potente microscópio e observá-lo.
Depois de retirar as amostras de sangue com uma picada no dedo, os cientistas realizam um procedimento químico para isolar o DNA, que é extremamente pequeno, e colocá-lo em um equipamento especializado para amplificá-lo.
O líquido resultante é misturado com elementos fluorescentes, para marcar os 15 a 22 microssatélites que se deseja observar.
Ele é, então, passado por outra máquina, capaz de ler os microssatélites em cada uma das amostras e convertê-los em uma sequência numérica. Este processo é conhecido como eletroforese.
Por fim, com as sequências numéricas em mãos, os pesquisadores realizam a análise probabilística para descartar ou não que o homem seja o pai do bebê.
Quando a metade do perfil genético da criança coincide com o da mãe e a outra, com o do suposto pai, a paternidade é confirmada.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/L/R/pXjZT2QYSH9tUjvBWGtg/4c6c4240-1cce-11f1-940c-8d69ad1b5c3b.jpg.webp)
Os cientistas do Instituto de Genética da Universidade Nacional da Colômbia empregam uma técnica que permite a obtenção do perfil genético de uma pessoa em formato similar a um código de barras — Foto: GETTY IMAGES via BBC
Resultado extraordinário
No caso dos gêmeos de pais diferentes descobertos em 2018, os cientistas do Instituto de Genética da Universidade Nacional da Colômbia analisaram 17 microssatélites do DNA da mãe, dos dois bebês e do suposto pai que se apresentou para o teste.
Eles concluíram que o DNA do suposto pai coincidia com um dos meninos, mas não com o outro. Era um resultado extraordinário sob todos os aspectos.
“Sou diretor do laboratório há 26 anos e este é o primeiro caso que presenciamos”, destaca Usaquén. “E, até agora, o único.”
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Q/U/ABhphuR2OeCvfDBRuZQg/4db13040-1ccc-11f1-940c-8d69ad1b5c3b.jpg.webp)
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/O/2/VbI8DhT9WCpLg58mnUqQ/592a2be0-1ccf-11f1-940c-8d69ad1b5c3b.jpg.webp)




