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Mesmo com alta no preço, Brasil tem o 3º cigarro mais barato da América do Sul; número de fumantes volta a crescer

O governo federal anunciou um novo aumento no preço mínimo do cigarro no país, que vai passar de R$ 6,50 para R$ 7,50. No entanto, o valor ainda é visto por especialistas como insuficiente para conter um cenário alarmante: pela primeira vez em duas décadas, o número de fumantes voltou a crescer no Brasil. E mais: hoje, o país tem o 3° menor preço para o cigarro de toda a América do Sul.

O Brasil tinha uma política que previa que, anualmente, o preço mínimo do cigarro deveria subir acima da inflação, justamente como forma de reduzir o número de fumantes, hábito que mata 177 mil pessoas por ano no país.

💰 No entanto, esses reajustes ficaram estacionados de 2017 até 2023, com o valor congelado em R$ 5 — só em 2024 que o governo alterou para R$ 6,50. Agora, em 2026, o cigarro estará R$ 1 mais caro (R$ 7,50) para reduzir o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o preço dos combustíveis .

Ainda assim, o que os especialistas explicam é que, caso a política anterior, de reajustes anuais, tivesse sido mantida ao longo de todo o período, o valor mínimo do produto já estaria em torno de R$ 10.

🔴 E por que aumentar o preço do cigarro? De acordo com especialistas, essa é uma medida para conter o avanço do fumo no país. No ano passado, uma pesquisa prévia do Ministério da Saúde mostrou que a prevalência chegou a 11,6%.

  • A partir dos anos 1990, quando o Brasil começou uma política intensa antitabagismo, o número de fumantes caiu pela metade até 2015. De acordo com pesquisas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), que acompanha o tabagismo no país, a principal responsável pela queda foi a política de impostos que elevou o preço do cigarro.

Naquele período, a proporção de fumantes caiu de mais de 30% da população para cerca de 9%. Hoje, esse cenário está retrocedendo. Os especialistas apontam que é preciso aumentar a margem de preço para não só impedir o avanço, mas também para cobrir o custo do fumo no país.

💸 O Sistema Único de Saúde (SUS) gasta R$ 98 bilhões por ano com doenças relacionadas ao uso de cigarro. A arrecadação de impostos sobre a indústria do fumo cobre apenas 5% dessas perdas. 

De forma prática: para cada R$ 1 arrecadado, o governo precisa gastar R$ 5 para tratar doenças e cobrir perdas de produtividade por incapacidade ou morte prematura causadas pelo tabagismo.

Estamos vivendo um cenário preocupante com o aumento do tabagismo no país. Se não revertermos isso, a nova geração vai adoecer e morrer no futuro. Essa medida econômica de preços e impostos é a mais importante para reduzir a proporção de fumantes. E é preciso um preço ainda maior.
— André Szklo, pesquisador do Inca.

Brasil tem 3° menor preço para o cigarro na América do Sul

 

A cada dois anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz um levantamento mundial do preço do cigarro no mundo.

O último relatório foi publicado em 2025, com dados de 2024, e já mostrava o Brasil com o 3° menor valor na América do Sul. Agora, mesmo com o aumento, o país segue na mesma posição — considerada pelos especialistas um lugar arriscado no ranking e um “porto seguro” para o cigarro na região.

  • Para o levantamento a seguir, o g1 atualizou o valor mínimo com base na cotação do dólar vigente no momento da publicação dos dados.
  • A apuração mostra que apenas Colômbia, Peru e Uruguai tiveram alterações recentes nesses preços — já refletidas no infográfico.
  • Os valores indicam o menor preço encontrado no mercado.
Mesmo com alta, Brasil tem 3° cigarro mais barato da América do Sul — Foto: Arte/g1

Mesmo com alta, Brasil tem 3° cigarro mais barato da América do Sul — Foto: Arte/g1

Para especialistas, o cenário de preços estagnados por quase uma década no Brasil é um dos principais combustíveis para um dado alarmante: pela primeira vez em 20 anos, o número de fumantes cresceu no país, passando de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024 — uma alta de 25%.

“O que os dados mostram é que, mesmo com a alta do cigarro, ainda temos um produto muito barato. E estamos falando de um produto que causa milhares de mortes e custos bilionários aos cofres públicos. A alta do cigarro já funcionou antes e precisa voltar como política pública”, explica André Szklo, pesquisador do Inca.

A médica pneumologista e coordenadora da Comissão de Tabagismo da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), Maria Enedina Scuarcialupi, alerta que o cigarro eletrônico (vape), embora ilegal, tem funcionado como uma perigosa “porta de entrada” para o cigarro comum, que é mais acessível.

Hoje, o fumo voltou a ser uma grande preocupação entre os jovens. Eles entram pelo cigarro eletrônico e depois, já viciados na nicotina, migram para o cigarro comum, que é mais barato. Aumentar o valor pode inibir o tabagismo.
— Maria Enedina Scuarcialupi, pneumologista

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