Desenrola 2.0: Governo estuda liberar FGTS para dívidas

O governo federal prepara o lançamento de um novo pacote de medidas para o enfrentamento da dívida no Brasil, já apelidado informalmente de “Desenrola 2.0”. A iniciativa surge em um momento crítico, com o endividamento atingindo níveis recordes no país. Segundo dados da Serasa, o Brasil possui atualmente mais de 81 milhões de pessoas inadimplentes, o que representa quase metade da população adulta com contas em atraso.
A principal estratégia em estudo pelo Ministério da Fazenda é a liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que os trabalhadores possam quitar seus débitos.
De acordo com a análise de Juliana Rosa, a medida é vista com bons olhos por economistas, uma vez que o dinheiro pertence ao trabalhador e apresenta rentabilidade real próxima de zero quando descontada a inflação. Contudo, a utilização desses recursos gera um dilema fiscal e social, pois o FGTS é a principal fonte de financiamento para a construção civil, especialmente para programas habitacionais como o Minha Casa, Minha Vida.
Limites das medidas paliativas e juros altos
Embora o pacote prometa um alívio imediato, especialistas apontam que o problema da inadimplência no Brasil é estrutural. O programa Desenrola, lançado originalmente em 2023, não impediu que os índices de endividamento voltassem a subir pouco tempo depois. Juliana Rosa ressalta que o cenário atual é agravado por fatores externos, como conflitos internacionais que pressionam a inflação e mantêm as taxas de juros em patamares elevados, dificultando o pagamento de empréstimos e faturas.
A análise indica que, sem reformas que ataquem as causas de longo prazo do endividamento, novos programas de renegociação podem atuar apenas como um paliativo. Para que o “Desenrola 2.0” tenha sucesso duradouro, economistas sugerem que ele venha acompanhado de educação financeira e uma trajetória sustentável de queda nos juros.
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