Em Roraima, a polícia prendeu um deputado estadual suspeito de mandar sequestrar um jornalista e de ameaçar o governador.

Promotores, policiais militares e civis foram ao escritório do deputado em Boa Vista. Jalser Renier, do Solidariedade, não estava, mas chegou logo depois.

Ele pediu para ler o mandado de prisão enquanto assessores gravavam a cena. O deputado saiu de lá algemado.

O parlamentar é suspeito de ser o mandante do sequestro do jornalista Romano dos Anjos, em outubro de 2020. Homens armados e encapuzados invadiram a residência do jornalista e o levaram. Romano foi encontrado no dia seguinte, com os braços quebrados e várias lesões. Seria uma represália às críticas do jornalista ao grupo político de Jalser Renier.

No mês passado, a polícia prendeu seis PMs e um ex-funcionário da Assembleia Legislativa de Roraima, todos suspeitos de envolvimento no sequestro. Os PMs trabalhavam no gabinete de Jalser Renier quando ele era presidente da Assembleia.

A investigação apontou que uma milícia de policiais militares foi formada dentro da Assembleia Legislativa na época comandada por Jalser Renier para monitorar desafetos. Segundo o inquérito, o grupo planejou o sequestro de Romano dos Anjos.

O atual presidente da Assembleia, o deputado Soldado Sampaio, do PCdoB, disse que testemunhou, em novembro de 2020, quando o deputado Jalser Renier deu um recado para o governador Antonio Denarium, do PP, para que parasse as investigações.

“Ele foi muito claro no seu objetivo, que era extinguir aquele inquérito, aquela força-tarefa, porque poderia aquilo chegar a alguém próximo dele ou nele mesmo. E ele disse para o governador que, naquele momento, tinha um oficial da Polícia Militar, o coronel Paulo César, que tinha avisado o deputado Jalser que, se algo chegasse nele, seria homem suficiente para dar um tiro na cara do governador e dar um tiro na própria cabeça. E o coronel Paulo César se encontrava na sala logo atrás, na antessala. Então, isso eu presenciei”, disse o presidente da Assembleia.

O coronel Paulo César está preso por suspeita de participação no sequestro do jornalista. Na operação desta sexta-feira, outros três PMs, dois deles coronéis, também foram detidos.

A defesa de Jalser Renier declarou que a prisão é uma tentativa de manipulação da opinião pública antes do julgamento que vai decidir se ele pode reassumir a presidência da Assembleia.

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