Surgida na Índia, a variante delta do coronavírus já foi registrada em mais de 120 países e trouxe preocupação ao mundo. A cepa é altamente transmissível e levou a uma explosão de mortes em nações como Indonésia e Tailândia.

Na Europa, onde as taxas de vacinação são altas, a delta se comportou de maneiras distintas entre os países, mas, por causa de sua taxa de contágio elevada, cientistas afirmaram que a imunidade de rebanho se torna impossível.

Nos Estados Unidos, a variante parece expor uma pandemia de não vacinados. Já em Israel a alta de casos e mortes traz dúvidas sobre uma possível diminuição da efetividade dos imunizantes.

A variante ainda não é dominante no Brasil, mas já faz o alerta se acender por aqui. Ainda é grande a parcela de brasileiros com apenas uma dose do imunizante (só um quarto da população completou o esquema vacinal), e especialistas afirmam que há risco de uma nova corrida por leitos hospitalares.

Veja o que os dados mostram sobre a chegada da delta a diferentes países.

Em quantos países a delta está presente?
De acordo com o último relatório epidemiológico da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgado na terça (17), 129 países reportaram oficialmente ter identificado casos da delta em seus territórios. Em outros 19 há suspeitas, ainda sob investigação.

Segundo dados do site CoVariant, que reúne informações do Gisaid —plataforma em que países do mundo inteiro submetem informações sobre o coronavírus—, 71 países tinham a delta como variante mais numerosa dentre as amostras sequenciadas até o último dia 26.

Isso não significa necessariamente que a variante seja predominante em todos eles, pois são poucos os países que conseguem sequenciar amostras em quantidade expressiva, periodicidade regular e de maneira uniforme, de modo a representar a realidade local.

“Quando se fala ‘encontramos 90 casos de delta’, tem que ver se foram, por exemplo, todos de pessoas que estavam numa mesma festa com contaminação de delta. Isso é diferente de 90 amostras aleatórias em uma cidade”, diz Maria Carolina Sabbaga, vice-diretora do centro de desenvolvimento científico do Instituto Butantan.

O que aconteceu nos países quando a delta chegou?
Os dados não permitem afirmar com precisão, mas, em grande parte das situações, houve aumento de casos. A proporção e a velocidade com que isso acontece, contudo, variam muito de lugar para lugar —até porque a capacidade de detecção da variante é desigual.

O impacto nas mortes, por sua vez, costuma ser muito menor em países com maior percentual de vacinados.

Gabriel Wallau, pesquisador da Fiocruz em Pernambuco e membro da Rede Genômica, que sequencia amostras do coronavírus no país, lembra que a vacinação nem sempre consegue deter o avanço de casos que pode acompanhar a delta, mas tem mostrado eficaz em prevenir mortes.

Nos Estados Unidos, por exemplo, um estudo feito pelo CDC (centro de controle de doenças, na sigla em inglês) com mais de 7.000 pacientes hospitalizados com Covid mostrou que 87% não haviam tomado vacina ou completado o esquema vacinal.

O que aconteceu em países com vacinação lenta?
Quando a delta surgiu, a Índia não tinha nem 10% da sua população vacinada. O cenário foi de caos: explosão de doentes, hospitais lotados, milhares de mortes. O mesmo aconteceu na Indonésia e na Tailândia, onde a vacinação também caminha a passos muito lentos.

Um dos pontos que podem explicar a proporção do surto nesses países é que os estudos até o momento indicam que a delta tem um poder de transmissão muito alto e que pode gerar uma carga viral até mil vezes maior que a cepa original. Como quase não havia vacinados, o vírus praticamente não encontrou barreiras para se alastrar.

São também países muito populosos e com grandes parcelas da população vulnerável e vivendo em situações de pobreza, sem condições adequadas de higiene e moradia. Esse é um cenário propício para a disseminação da doença, especialmente com formas mais contagiosas do coronavírus.

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