A crise diplomática entre China e Taiwan ganhou mais um capítulo neste domingo depois que a presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, disse que seu país não se curvará às pressões do vizinho continental que, desde o início deste mês, faz exercícios militares com aviões próximos ao espaço aéreo da ilha. As ações desencadearam uma série de reações de Taiwan, que enviou caças à região dos exercícios e reforçou suas defesas antiaéreas. Nações do Ocidente, principalmente os EUA, veem com preocupação a escalada dos acontecimentos.

 

Os dois países se separaram durante a guerra civil chinesa que levou os comunistas ao poder, no final dos anos 1940. Em 1949, parte dos nacionalistas derrotados se refugiou na ilha e declarou a criação de um governo independente da China, algo nunca reconhecido formalmente por Pequim. Os comunistas sempre disseram que iriam retomar o que eles consideram uma província rebelde, o que é rechaçado pelo governo insular. Apesar de Taiwan ter relações diplomáticas com várias nações do Ocidente, a China considera a ilha seu território por direito, apesar de não governar oficialmente o país.

Neste sábado, depois da escalada da tensão com os aviões de guerra, o presidente da China, Xi Jinping, pediu a “reunificação pacífica” dos países, sem mencionar o uso ou não da força. Neste domingo a presidente taiwanesa participou de um comício pelo Dia Nacional de Taiwan. Segundo o jornal britânico The Guardian, apesar de ela ter dito esperar um distensionamento das relações entre os países, Tsai respondeu duramente às ameaças militares da China continental.

A presidente disse que continuará a fortalecer as defesas militares da ilha e que caberá ao povo local decidir sobre o seu futuro. Ela afirmou que seu país não irá agir precipitadamente, mas “que não deve haver absolutamente nenhuma ilusão de que o povo taiwanês irá se curvar à pressão chinesa”. A troca de declarações entre os dois líderes acontece depois de uma semana em que os chineses enviaram um número recorde de aviões ao estreito de mar que separa os dois territórios.

Ainda de acordo com o jornal inglês, a presidente da ilha afirmou que ao fortalecer sua defesa nacional, Taiwan quer garantir que ninguém o force a seguir os planos da China. Segundo Tsai, o caminho traçado pelo país vizinho “não oferece um modo de vida livre e democrático para Taiwan, nem soberania para nossos 23 milhões de habitantes”.

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