Da gasolina ao supermercado, o brasileiro sente no bolso o impacto da inflação. A combinação entre desemprego e inflação alta há meses traz um momento difícil e os desafios para sobreviver diante esse cenário só aumentam. Em entrevista ao ClickPB, nesta sexta-feira (27), a técnica do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e de Estudos Socio Econômicos), Lilian Arruda, disse que é possível enxergar algumas alternativas, mas que com a política econômica atual, não há muita expectativa de melhora.

Ela confirmou que a sensação da renda da família brasileira parecer cada vez menor, é resultado de uma série de fatores, entre eles, a influência do mercado internacional, as oscilações de preço dos produtos exportados, e a alta demanda gerada pela pandemia, que impacta na escassez de alguns produtos.

Segundo ela, um dos fatores, além da alta nos preços de itens essenciais é a renda que pouco cresce e só diminui para a maioria da população, pela falta de geração de emprego, entre outros motivos.

No entanto, o elemento principal responsável por acarretar o cenário de crise é “a inércia de um governo sem uma política que amenize os impactos, como era feito em outros. Antigamente, o governo era mais proativo em relação a situação e agia com estoques reguladores. Quando você tinha aumentos internacionais, os estoques seguravam. Não existe uma política alternativa para solucionar. Agora, não existe mais isso. O dólar oscila por causa da pandemia, mas também pela instabilidade política no país. E agora, você tem o clima com a seca e a geada que também influência a inflação”, analisou.

Enquanto os preços sobem de elevador, os salários sobem de escada, como costumava dizer o ex-presidente argentino, Juan Domingo Perón, nos anos 1970. Essa é uma realidade que atinge cada vez mais brasileiros e para ela não há perspectiva de melhora.

“Existem medidas que podem suavizar o impacto da inflação e que podem ser tomadas com planejamento dentro das próprias famílias, como a velha e boa pesquisa de preços. No caso, da inflação IPCA que é a variação dos preços ao consumidor. É época de gastar mais tempo olhando e comparando os preços de loja em loja, para garantir alguma economia na renda familiar. Procurar consumir produtos que estão na época de safra. É um período de grande pesquisa e se preparar para cenários ainda difíceis, devido à inércia do governo”, destacou.

Lilian também reforça que houve alerta de técnicos avisando sobre o risco de escassez e aumento dos preços, mas que o governo ignorou. “Agora, você tem a questão da energia. Hoje, a energia é uma das mais caras já vistas no país. Tem que ter políticas prevendo as possibilidades e não deixando para última hora. Desde o ano passado, que os técnicos estavam avisando sobre os reservatórios baixos, mas nenhuma medida foi tomada”, lembrou.

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