As urnas eletrônicas vieram para solucionar fraudes históricas no processo eleitoral no Brasil. A declaração é do atual secretário de Gestão Ambiental e Estratégia do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bruno Cezar Andrade de Souza, que participou nesta sexta-feira (27) do II Workshop sobre o “Sistema de Votação Eletrônico no Brasil”, promovido pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).

Na ocasião, o secretário, que também é mestre em Direito Constitucional com especialização em Direito Eleitoral, ministrou a palestra sobre a “Modernização do Sistema de Votação” e falou da seguranças do sistema eletrônico. De acordo com Bruno, há dois tipos de fraude no sistema de votação por cédula: a coação ao eleitor e a manipulação da totalização dos votos.

“A Justiça Eleitoral veio para dar uma resposta porque antes se tinha ou partidos políticos ou entidade privadas cuidando dessa eleição. Houve eleições no Brasil que partidos políticos forneciam a cédula aos eleitores. E a urna eletrônica veio em resposta a uma situação grave quando em 1994 houve a anulação das eleições proporcionais no Rio de Janeiro. À época, foi disbaratada uma quadrilha que fraudava as cédulas e a totalização”, disse.

Durante a palestra, o secretário também falou sobre os problemas do projeto proposto para o voto impresso no Brasil apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro e rejeitado na Câmara dos Deputados.

“Não haveria efetivamente uma comparação nem uma auditoria entre o papel e o eletrônico. O proposto era onde fosse implantado papel, o resultado em papel é que valeria ainda que diferente do eletrônico. Se houvesse uma manipulação das cédulas, essa contagem é que seria a oficial. Então, não seria mais um mecanismo de segurança e, sim, uma substituição”, afirmou.

Bruno também ressaltou o processo de verificação de integridade dos sistemas instalados nas urnas para a segurança eleitoral, realizada imediatamente antes da votação oficial. Nela, urnas sorteadas emitem um relatório de resumos digitais para que os arquivos instalados no equipamento sejam conferidos.

“O teste não é feito pela Justiça Eleitoral. A gente contrata uma empresa independente que acompanha essa auditoria e emite relatórios. Desde que foi implantado, não teve indicativo de qualquer tipo de fraude. Na última eleição, fizemos teste em aproximadamente 105 urnas no Brasil e a ideia é ampliar esse quantitativo para 1.000”, concluiu.

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