Desejos de que o Brasil cultive relações soberanas e de Estado, apelo ao diálogo e à conciliação, saudações ao vigor da democracia e manifestações pelo fim de ideais autoritárias, além de entusiasmo pela eleição da primeira vice-presidente negra, filha de imigrantes, na história dos Estados Unidos. Essas foram algumas das manifestações dos senadores diante do anúncio da eleição da chapa de Joe Biden e Kamala Harris, do Partido Democrata, contra Donald Trump e Mike Pence, do Partido Republicano, no dia 7 de novembro.

A apuração ainda está em andamento, pois não foi encerrada em todos os colégios eleitorais, mas Joe Biden chegou aos 270 delegados necessários para ser eleito o 46º presidente dos Estados Unidos, com a confirmação de sua vitória no estado da Pensilvânia, que tem 20 delegados.

“Joe Biden disse que será o presidente de todos americanos. Espero que também seja de todos os países com os quais os EUA mantêm relações diplomáticas e comerciais. E que a relação comercial entre Brasil e EUA, mantida há décadas, possa se fortalecer, principalmente neste momento de retomada do desenvolvimento econômico pós-pandemia que os nossos países vão atravessar, em que é preciso, mais do que tudo, união”, tuitou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Contestação

Também houve comentários sobre a judicialização promovida por Trump, que alega haver fraudes na votação pelo correio, tradicional modalidade de voto naquele país.

“Como um cidadão que respeita democracia e o Estado democrático de direito, acredito que não há o que se contestar, porque esse resultado foi a vontade do povo americano. Espero que o novo governo possa se relacionar com o Brasil de maneira ainda melhor que governos anteriores. Como presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Congresso, eu entendo que foi uma eleição equilibrada, mas que demonstrou vantagem do candidato democrata tanto no âmbito popular como também de delegados no colégio eleitoral”, opinou Trad.

Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a senadora Simone Tebet (MDB-MS) ponderou que regras devem ser acatadas.

“Democracia não sou eu, somos nós. EUA votou e decidiu legitimamente. Aceitar regras e resultado é o que diferencia democratas de autocratas. Trump não admite descer do altar. Biden prepara e chama todos para a mesa de comunhão”, afirmou a senadora.

Escolha soberana

Vários senadores mencionaram o vigor da democracia americana, elogiaram a escolha soberana de seus eleitores e disseram que Brasil e Estados Unidos devem buscar fortalecer suas relações diplomáticas e comerciais, mesmo com a declarada preferência do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, por Trump.

“Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias das Américas. Estou confiante que o presidente Jair Bolsonaro vai aprofundar nossa relação bilateral, em benefício dos nossos povos e região. Parabéns a Joe Biden e Kamala Harris, aos quais faço votos de uma gestão de êxito e conciliação”, escreveu o senador Fernando Collor, ex-presidente da CRE.

“O povo norte-americano fez sua escolha soberana. Joe Biden e Kamala Harris têm a missão de levar os Estados Unidos de volta ao seu lugar entre as democracias do mundo. Há um sentimento de alívio no ar, e os brasileiros compartilham essa esperança”, disse o senador Renan Calheiros (MDB-AL).

“Desejo que o presidente eleito Joe Biden faça bom governo e se relacione bem com o Brasil. E torço para que lidere o país no propósito de um convívio harmonioso entre as nações do mundo inteiro”, declarou o senador Lasier Martins (Podemos-RS).

O senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) também se manifestou: “Como membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado Federal eu não poderia deixar de cumprimentar o presidente eleito dos EUA, Joe Biden, por sua vitória. Desejo que faça um bom governo nestes anos difíceis que estamos vivendo”.

Conciliação, diálogo e união

Pautar a relação entre os dois países pela ponderação e pelo diálogo, em prol dos cidadãos de ambas as nações, foi a principal demanda a Joe Biden feita pelos parlamentares que se manifestaram nas redes sociais.

“Felicito o presidente eleito Joe Biden: sua vitória renova as esperanças em um mundo com mais diálogo entre os diferentes e na retomada do multilateralismo, da defesa dos Direitos Humanos e de uma agenda ambiental ambiciosa”, disse Fabiano o senador Contarato (Rede-ES), presidente da Comissão de Meio Ambiente (CMA).

“Que a vitória de Joe Biden marque o início de um tempo de mais tolerância, de menos ódio e radicalismo mundo afora. E que nossos laços com os EUA tenham como único compromisso os interesses do Brasil e dos brasileiros”, desejou o senador Eduardo Braga (MDB-AM) .

“Parabenizo o presidente eleito dos EUA, Joe Biden. Que o novo presidente traga união ao povo americano e que sua eleição signifique um novo contexto político mundial com mais respeito ao regime, tolerância e menos beligerância internacional”, afirmou a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA).

“A vitória de Biden traz expectativa de tempos menos conflituosos na política da maior potência mundial. Como membro da CRE, espero que continue a boa relação com o Brasil, sobretudo no comércio e na diplomacia, longe do personalismo da relação Trump/Bolsonaro, e sem arroubos autoritários”, pontuou Angelo Coronel (PSD-BA).

“Venceu o diálogo. A grande potência mundial será liderada por Biden. Temos agora a oportunidade de nos tornarmos nações menos polarizadas, com mais fluxo de comércio, diplomacia, tolerância e democracia. Temos muito a ganhar com essa vitória”, analisou a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP).

Democracia

Apelos à permanência da normalidade democrática e à retomada de acordos de cooperação também foram feitos nas redes sociais.

“A vitória de Joe Biden traz alívio para um mundo submetido à dupla ameaça da pandemia e da competição hegemônica. Seu compromisso com a democracia, com instituições e acordos internacionais, será bem-vindo por aliados e adversários. Um perfil conciliador e longa experiência de missões diplomáticas limitam riscos de impulsos belicosos, com ameaças à paz mundial. O Brasil só tem a ganhar reiterando sua tradição de cooperação independente com o futuro governo Biden”, escreveu o senador José Serra (PSDB-SP).

“Os ventos da democracia avançam pelo continente americano, trazendo novos ares, respeito às diversidades e aos direitos humanos. Com a democracia, se corrigem rumos, caminhos são reconstruídos, os olhos da esperança se alegram. Com a democracia, tudo! Sem a democracia, nada!”, escreveu o senador Paulo Paim (PT-RS).

“A vitória de Joe Biden e Kamala Harris é um sopro de esperança para a democracia, sistema onde a população decide os rumos e tem também a oportunidade de corrigir suas escolhas. Desejo sabedoria e sucesso na missão de governar para todos, como o próprio Biden se propôs. Torço ainda para que o novo governo dos EUA construa uma relação harmoniosa com todas as nações”, afirmou a senadora Leila Barros (PSB-DF).

Kamala

A primeira mulher a ser eleita vice-presidente dos Estados Unidos, negra, filha de imigrantes da Jamaica e da Índia, foi muito celebrada pelos parlamentares. Antes, havia sido procuradora e senadora pelo estado da Califórnia.

“Que coisa maravilhosa! Fiquei fã dessa senadora. Linda e competente! Muita luz para você, mulher!”, disse a senadora Kátia Abreu (PDT-TO).

“Muita alegria com a eleição desta mulher de garra e feminista. Viva!!! Kamala Harris”, salientou a senadora Maria do Carmo Alves (DEM-SE).

“Parabéns a Kamala Harris, primeira mulher negra a ser eleita vice-presidente dos EUA. Parabéns, também, a Joe Biden, 46° presidente democraticamente eleito dos EUA”, disse ainda a senadora Rose de Freitas (Podemos-ES).

“Mulher, negra, filha de pai jamaicano e mãe indiana: Kamala Harris é a síntese da ideia de que um país pode ser para tod@s! Parabéns por inaugurar a primeira Vice-Presidência feminina e aguardemos, porque ela pode chegar ainda mais longe!”, apontou Fabiano Contarato (Rede-ES).

“É também com entusiasmo que vejo a atuação inteligente e sensível da vice-presidente eleita, Kamala Harris, que por ter a função constitucional de presidir o Senado americano, será fundamental para trazer a estabilidade tão necessária ao novo governo”, afirmou o senador Angelo Coronel (PSD-BA).

Intolerância

Muitos senadores se manifestaram sobre as posturas políticas que instigam a divisão, a intolerância e o preconceito, para eles adotadas por Donald Trump.

“Os tempos atuais dão um ensinamento: quem defende o ódio e a divisão não prosperará”, disse o senador Jaques Wagner (PT-BA).

“Trump foi derrotado. Bolsonaro vai entregar a coleira pra quem? Que a vitória de Joe Biden sobre Trump abra a possibilidade de enterrar tudo o que esse atual governo dos EUA tem representado de nefasto ao Brasil e ao mundo. Eu o felicito pela vitória. E não vejo a hora de que, em 2022, possamos derrotar Bolsonaro, a cópia malfeita de Trump. O Brasil precisa voltar a ter uma relação com os EUA pautada em um debate político elevado, de ideias e, sobretudo, que respeite os ideais de civilização, algo impossível de se ter com duas figuras como Trump e Bolsonaro. Parabéns, EUA, pela escolha! Parabéns, Joe Biden!”, escreveu o senador Humberto Costa (PT-PE).

“Mesmo em meio à campanha não poderia deixar de passar aqui e registrar meus parabéns ao 46º presidente eleito dos EUA, Joe Biden e sua vice, Kamala Harris. Grande feito com grandes consequências, inclusive para nós. O Partido Democrata demonstrou maturidade, contrapôs o candidato com a verdade quando ele mentiu, com a esperança quando ele semeou o medo, com a união quando ele ameaçou dividir o país. Uma conquista de equipe. Desejo ao presidente-eleito sucesso, e que ele contribua com sua experiência para conduzir os Estados Unidos nos mares bravios adiante, especialmente afetados pelas crises sanitária, ambiental, e de injustiça econômica e racial. Da nossa parte ficam os votos de que aprendamos a lição e façamos nossa parte para defenestrar em 2022 o preconceito, o autoritarismo e a beligerância que pairam sobre nós. Façamos nossa parte para repensar nossos caminhos, e abraçar a mudança”, ponderou o senador Jean Paul Prates (PT-RN).

“Clinton, Bush e Obama, últimos três presidentes norte-americanos, antes de Donald Trump, comandaram o país por dois mandatos consecutivos. Dos 25 presidentes dos Estados Unidos que tentaram reeleição, 16 conseguiram levar a melhor na disputa eleitoral. A não reeleição de Trump é uma resposta à sua gestão autoritária, arrogante e prepotente. O comando do republicano foi marcado pelo desrespeito aos direitos do povo e aos direitos constituídos de outros países. A humildade é necessária, independente do cargo que se ocupe”, opinou o senador Telmário Mota (Pros-RR).

“Testemunhamos não só uma vitória da democracia estadunidense, mas da democracia mundial. A maioria do povo da maior potência econômica deu o seu recado nas urnas. E ele é muito claro: não haverá segunda chance para quem governa movido pela vaidade, egoísmo e intolerância, pelo desrespeito às mulheres, aos negros, aos indígenas, aos imigrantes, refugiados e estrangeiros; para quem despreza o meio ambiente e acordos ambientais; quem quer armar a população e usar a boa fé religiosa para dissimular preconceitos, quem despreza a ciência e dá mau exemplo na prevenção à covid e no combate à pandemia. Ao fim e ao cabo, o desejo e a esperança de um futuro com mais respeito à vida venceram”, opinou a senadora Zenaide Maia (Pros-RN).

Conservadorismo 

Alguns senadores consideraram que a derrota de Donald Trump, que governou com uma plataforma de direita, pode ser um sinal de derrocada da chamada “onda conservadora”, responsável pela eleição de alguns políticos como Maurício Macri, na Argentina, e o próprio Jair Bolsonaro, em substituição a outros políticos da esquerda que governaram o continente sul-americano.

“A vitória de Biden nos EUA pode não trazer grandes alterações nas relações com o Brasil, mas é um indicativo de que a onda de ultraconservadorismo no mundo pode ter vida curta. Motivo mais que forte para comemorar”, disse o senador Weverton (PDT-MA).

“A queda da direita populista nos Estados Unidos é um alento para toda a América Latina. Novos ventos sopram a favor da democracia e do meio ambiente até mesmo no Brasil. Parabéns ao povo americano e a Joe Biden”, afirmou Paulo Rocha (PT-PA).O mundo se alegra e aplaude a mudança ocorrida nos EUA. Viva Biden! Que seja uma inspiração para a próxima eleição presidencial. Chega de retrocesso civilizatório e turbulência”, disse Maria do Carmo Alves (DEM-SE).

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também se manifestou para comemorar a derrota de Trump.

“Um rápido intervalo nas informações aqui sobre a crise no Amapá, para compartilhar uma boa notícia para o planeta. Vitória da democracia e de nosso pacto civilizatório. A derrota de Trump é uma vitória da humanidade, põe freio ao populismo fascista, devolvem os EUA para o acordo de Paris, restabelecem a convivência civilizatória e aumenta a pressão por um novo modelo de desenvolvimento no planeta. Que os ventos do norte cheguem ao Brasil. Bolívia, Chile e agora EUA, ao que parece o tsunami fascista não passava de marolinha”, declarou.

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