Forças políticas, instituições e a sociedade no Brasil precisam se preparar: em 2022, a eleição presidencial no país corre o sério risco de repetir o cenário promovido por Donald Trump nos EUA neste ano. Nos últimos dias, o americano optou por tumultuar o processo eleitoral, proliferar acusações falsas de fraude e corrupção, além da recusa de aceitar os resultados da votação. O alerta é do sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin-Madison, nos EUA. Em entrevista à coluna, o especialista avaliou a recusa de Trump de aceitar sua derrota e como o gesto representa uma ameaça à democracia. Mas deixa claro que o ato pode se repetir em 2022, no Brasil. Boaventura de Souza Santos, nos últimos 35 anos, divide sua vida entre Portugal e os EUA. Nas próximas semanas, ele publica no Brasil seu livro mais recente “O futuro começa agora: Da Pandemia à Utopia”. (Boitempo)

Eis os principais trechos da entrevista:

Como o sr. explica a situação social nos EUA hoje? Existiu, ao longo dos 35 anos que eu estou nos EUA, uma degradação de um processo democrático, da sociedade em si mesmo. Cheguei aos EUA num momento em que havia a vibração da luta contra a guerra do Vietnã, do movimento dos direitos cívicos. Era uma sociedade americana extremamente vibrante em lutar pela redução da desigualdade. A partir dos anos 80, a sociedade se torna muito mais desigual e muitas das conquistas sociais foram anuladas. O clímax dessa frustração ocorre quando Obama é eleito. Muita gente, e eu mesmo, choramos naquele dia de eleição. Era uma grande mudança que se previa.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

dezenove − treze =