Desde 2003, a Band tem um buraco negro em sua grade de programação. De segunda a sexta, às 21h10, vai ao ar o programa “Show da Fé”, comandado pelo missionário R. R. Soares. Aos sábados, o horário é 21h30.

Não se trata de uma produção da emissora: ela aluga a faixa para a Igreja Internacional da Graça de Deus, o que lhe garante alguns milhões em caixa todos os anos.

No entanto, ocupando quase uma hora do horário nobre, o “Show da Fé” derruba a audiência da Band. Não há o desejado efeito de crescimento, em que cada atração “entrega” um número maior de espectadores para a seguinte. E, com os números lá embaixo, é muito difícil para o Band Notícias, que vai ao ar às 22h, alcançar um ibope expressivo.

Imagens do apresentador Fausto Silva
Imagens do apresentador Fausto Silva

Diversos diretores de programação já tentaram desalojar o “Show da Fé”, mas falharam por uma razão muito simples: nenhuma das alternativas cogitadas garantiria um faturamento semelhante ao do programa religioso. No entanto, isto pode mudar em janeiro, com a estreia de Fausto Silva na faixa.

A notícia, que já circulava em forma de boato, foi praticamente confirmada esta semana. Ainda falta acertar com R. R. Soares sua transferência para as madrugadas, o que é incerto. Mas o mercado já sinalizou interesse num programa diário de Faustão. Além disso, diversos profissionais do “Domingão” vêm deixando a Globo, rumo à Band.

Isto é o que os americanos chamam de “counterprogramming”, ou contraprogramação. Ao invés de oferecer atrações similares aos líderes do horário, o Jornal Nacional e a novela das 21h da Globo, a Band transmitiria algo totalmente distinto: um programa de variedades ancorado por um dos maiores apresentadores da história da TV brasileira.

Não sabemos o tamanho que esse programa teria. Provavelmente, nada tão grandioso quanto o “Domingão do Faustão”, com plateia, bailarinas e dezenas de convidados. Talvez um formato mais próximo ao talk show, mas Faustão está longe de ser um grande entrevistador.

Faltam dois dados nesta equação. Uma delas é o público. Será que ele está disposto a ver Fausto Silva quase todos os dias? Os mesmos bordões, as costumeiras indiretas, as videocassetadas? Acho improvável. A repercussão do programa dependerá do quilate de seus convidados. Nos dias em que receber uma grande estrela, irá bem; nos outros, nem tanto.

O outro dado é o próprio Faustão. Aos 70 anos de idade e com a saúde debilitada, será que ele aguenta o tranco? Nos últimos tempos, seu programa na Globo tinha apenas duas horas de duração. Ele conseguirá praticamente quadruplicar essa carga horária? Mesmo sem ser ao vivo, com gravações prévias, é um aumento brutal.

Mesmo com tantas incógnitas, um programa diário de Fausto Silva pode ser uma excelente novidade. Faz tempo que o horário nobre da TV brasileira está consolidado. Faustão pode provocar um abalo sísmico, que force todas as emissoras a rever suas estratégias.

E, se não der certo, nada o impede de voltar para os domingos.

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