O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que pretende implementar protocolos assistenciais para economizar no uso de oxigênio no país. Em sessão no Senado, Queiroga afirmou que está trabalhando para que o ministério emita orientações a respeito do uso racional do insumo.

Desde a semana passada, municípios de todas as regiões do país têm relatado risco de colapso no fornecimento de oxigênio para tratamento dos pacientes com Covid-19. Levantamento da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) realizado há dez dias indicava que o oxigênio para pacientes de Covid está prestes a acabar em pelo menos 76 municípios de 15 estados. O diretor de Logística do Ministério da Saúde, general Ridauto Fernandes, reconheceu a iminência do colapso dia 18, ao falar em audiência no Senado. Na ocasião, ele não descartou “falta perigosa” de oxigênio, principalmente nos pequenos hospitais.

— Estamos trabalhando na área técnica, convidei o professor Carlos Carvalho da USP para trabalhar conosco em protocolos assistenciais que, entre outras coisas, racionalizem o uso de oxigênio. Todos sabemos que muitas pessoas chegam aos hospitais e às vezes a primeira providência é colocar o oxigênio nasal em quem não precisa. Vamos tentar economizar, fazer uma campanha entre os profissionais de saúde para o uso racional do oxigênio— afirmou.

De acordo com o Ministério da Saúde, até o momento, a pasta já enviou 1000 cilindros de oxigênio aos estados para conter a pandemia. A expectativa é entregar mais 800 cilindros nos próximos dias. A pasta afirma ainda que tem oferecido suporte na implementação de usinas de oxigênio. Segundo o ministério, há duas usinas em funcionamento no Amapá e uma em implementação. Rondônia também receberá uma usina.

Segundo a sanitarista Lígia Bahia, professora da UFRJ, a ideia de se estabelecer protocolos de atendimento é perfeito. No entanto, eles não resolvem o problema da falta de oxigênio.

— Procotolos não são feitos para economiza. Eles garantem segurança e qualidade ao paciente. Isso não resolve a falta de oxigênio. O paciente com Covid-19 precisa porque chega ao hospital sentindo falta de ar e, em geral, super cansados. Por isso, tem que usar.

Tratativas com Opas para kit intubação

Em relação aos medicamentos para intubação, o ministro afirmou que a pasta está em tratativas com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), mas esbarra na escassez de produtos no mercado mundial. Segundo ele, em até 15 dias será possível resolver a situação. O ministro citou que o governo atuou junto à Anvisa para promover a flexibilização das regras para compra desses insumos.

— Lembrando que essa é uma atribuição das secretarias de saúde. O ministro da Saúde não pode ser o AGR, almoxarife real da República, só para estar cuidando dessa agenda. Tem que existir um esforço também dos secretários municipais e estaduais para se somar com o Ministério da Saúde, não é só jogar a bomba para a gente. Não é tripartite? Vamos compartilhar as responsaibilidades, porque o Ministério da Saúde não pode só ficar enxugando gelo.

O ministro disse ainda que vai receber, na terça-feira, o Embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, para conversa sobre uma “permuta” com os EUA para antecipação de envio de doses de vacina do Covax Facility e da Pfizer para o Brasil.

— A vacina é a ordem do dia. Estamso muito empenhados em conseguir uma antecipação. Os americanos não vão aceitar (repassar) vacina antes que tenham vacinado sua população. Então vamos fazer uma permuta, como já adquirimos da Pfizer e vamos adquirir mais, vamos fazer uma permuta para ver se conseguimos 20 milhões de doses para que fortaleça nosso programa de imunizações — disse.

Como tem feito desde que assumiu, Queiroga reiterou a importância do uso de máscara, recomendou que as pessoas evitem aglomerações desnecessárias e afirmou que medidas restritivas devem ser adotadas localmente. O ministro voltou a manifestar preocupação com o feriado da Semana Santa que, segundo ele, é um “ponto de risco”.

— Essas medidas de restrições mais fortes quando aplicadas têm que ser a nível do local onde esteja acontecendo o momento sanitário mais severo. Não se pode preconizar de maneira horizontal medidas de restrição severas, porque isso seria uma situação que não traria benefícios e agravaria por demais a questão econômica do país — argumentou. — O que queremos é intensificar todas as outras medidas sanitárias, que no Brasil têm sido colocadas em prática de maneira errática, para que se evite chegar dentro desse contexto que está aí.

 

 

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