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O ministério da Economia informou nesta quinta-feira (21) que pediram demissão o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, a secretária especial-adjunta do Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas, e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo. Os quatro informaram razões pessoais, segundo o ministério. “Funchal e Bittencourt agradecem ao ministro [Paulo Guedes] pela oportunidade de terem contribuído para avanços institucionais importantes e para o processo de consolidação fiscal do país”, diz a pasta.

As demissões acontecem após a confirmação de que o governo Jair Bolsonaro (sem partido) planeja uma manobra para driblar o teto de gastos e viabilizar um auxílio social de R$ 400 até o final de 2022, ano em que Bolsonaro tentará a reeleição.

Na terça-feira (19), Funchal e Bittencourt já haviam ameaçado se demitir, segundo fontes do Palácio do Planalto, após o presidente determinar o valor de R$ 400 para o programa social. O governo chegou a marcar um evento de lançamento, mas ele foi cancelado de última hora, após reação negativa do mercado financeiro e da equipe de Guedes.

Ambos estavam se posicionando de forma contrária às últimas ordens do presidente Jair Bolsonaro, para ampliar os gastos, mesmo rompendo o teto de gastos. Guedes, que vinha tentando segurar o teto de gastos, ontem pediu uma “licença” para gastar e indicou o furo no teto, o que fez o mercado começando o dia reagindo mal.

Auxiliares de Guedes vinham criticando a postura populista do presidente e pediam ao ministro que tentasse “dar limites aos rompantes populistas” de Bolsonaro.

O governo, porém, seguiu o plano e chegou a um acordo hoje para incluir na PEC dos precatórios uma mudança que abrirá espaço para mais R$ 83 bilhões em gastos em 2022.

Com a confirmação do drible no teto, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, tombou 2,75% e fechou a 107.735 pontos, menor patamar em quase um ano. O dólar comercial subiu 1,92%, a R$ 5,668, maior valor em seis meses.

Agora à tarde, Bolsonaro anunciou —sem a chancela do ministério— que o governo também fará um programa de ajuda financeira para 750 mil caminhoneiros, para amenizar a alta no preço do diesel diesel. O presidente não explicou de onde virá o dinheiro.

A categoria vem fazendo sucessivas ameaças e tentativas de greve. Nesta quinta, caminhoneiros bloquearam o acesso de caminhões-tanques a bases de abastecimento de combustível na região de Campos Elíseos, no município de Duque de Caxias (RJ).

 

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