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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Leila Mejdalani Pereira, 57, assumiu a presidência do Palmeiras, oficialmente, nesta quarta-feira (15) e diz que, de cara, tomou um susto quando passou a receber transferências de dinheiro em sua conta bancária. Na leitura da ata de posse, o presidente do conselho deliberativo, Seraphin Del Grande, detalhou nomes e dados pessoais dos integrantes da nova diretoria.

“O nosso torcedor é tão maravilhoso, que ontem mesmo [após o vazamento do número de CPF] eu passei a receber Pix com pedidos para que eu traga um centroavante, mandaram até sugestões e descrições [do perfil do atleta]. Foram centenas de Pix, é inacreditável, cheguei a pensar que poderia ser um ataque de haker”, disse Leila em sua primeira entrevista como presidente do clube.

Bem-humorada, ela disse que a quantia será revertida ao clube, mas não revelou a somatória dos depósitos.

Em um processo de reformulação do elenco, o centroavante Luiz Adriano não deverá continuar com o clube. Ao longo da temporada, ele bateu boca com a torcida e perdeu a titularidade com Abel Braga.

Durante a conversa, Leila garantiu que o técnico português Abel Ferreira continuará para o ano que vem. Ela fez questão de dizer que, na temporada seguinte, “o maior campeão do Brasil”, “tri da Libertadores” brigará pelo “bi-Mundial”.

“O Abel permanece, o nosso técnico bicampeão da Libertadores fica em 2022 e com possibilidade de renovação deste contrato”, afirmou a presidente, que teve uma conversa com o técnico nesta manhã.

Abel havia demonstrado, em algumas ocasiões, a sua irritação com o formato do futebol brasileiro.

Candidata única, a dona da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas) foi eleita, no último dia 20. Dos 2.141 votantes, Leila foi escolhida por 1.897 –244 votaram em branco. As suas empresas patrocinam o clube desde 2015, com aporte inicialmente de R$ 23 milhões anuais.

O valor triplicou ao longo dos anos, ao mesmo tempo o Palmeiras conseguiu grandes resultados, como Copa do Brasil, dois Brasileiro e duas Libertadores.

Em agosto deste ano, a Crefisa e a FAM renovaram o patrocínio com aporte de R$ 81 milhões por temporada.

Leila é a primeira mulher a presidir o clube em 107 de história. “Estou muito feliz, sim, de assumir um clube de futebol, um universo tão machista”, diz a empresária, que não escondeu emoção em algum momento.

“Uma mulher com nome de Leila Pereira, eu não tenho sobrenome italiano. O mais próximo é o meu marido, descente de italiano. Isso comprova que o Palmeiras é de todos. Eu jamais posso dizer que tenha havido preconceito comigo dentro do clube, pois quebrei o recorde em minha primeira eleição de conselheira.”

O mandato de Leila vai até o final de 2024, porém, ela antecipou que o seu plano é buscar a eleição.

Leila afirmou, por mais de uma vez, que o Palmeiras jamais irá se converter em clube-empresa. Esse tem sido um assunto ventilado entre torcida e opositores, que veem a presença da patrocinadora na principal cadeira do clube como um conflito de interesse.

“Me conta onde está o problema? Vocês precisam se preocupar com quem tira dinheiro do clube, e não quem coloca. Outra coisa, se o Palmeiras tiver proposta mais vantajosa [em comparação com a Crefisa] eu estarei lá na porta para fechar o contrato”, afirma.

“Eu até decorei o código de ética da CBF [Confederação Brasileira de Futebol] no qual não diz que há conflito de interesse caso o dirigente seja patrocinador do clube.”

Leila, aliás, diz que deverá conciliar seus compromissos pessoais e a rotina de cartola de futebol.

Ela também descartou que suas empresas deverão emprestar dinheiro ao clube. Há uma dívida dos palmeirenses de R$ 161 milhões, conforme o balanço de 2020, por causa de empréstimos feitos pela patrocinadora. O dinheiro fora usado para contratações, e a princípio a empresa recuperaria o investimento com a exploração da imagem dos reforços e vendas futuras.

No entanto, multada pela Receita Federal, a Crefisa transformou as operações em empréstimos, após uma canetada de Mauricio Galiotte.

“Esses contratos foram aprovados pelo conselho deliberativo. Não tem conflito de interesses. Qualquer deliberação sobre os empréstimos, quem vai decidir é o conselho deliberativo. A Leila não vai discutir nada, vamos cumprir o que está no contrato.”

 

Leila também se comprometeu em “popularizar” o Palmeiras, estreitando a relação da torcida com o time. Há, segundo ela, um incômodo com o preço dos ingressos e dos produtos do clube atualmente, valores impraticáveis para a população de baixa renda. A Crefisa deverá continuar patrocinando o desfile de carnaval da Mancha Verde, campeã em 2019.

“Precisamos dar acesso [ao torcedor] nos jogos, na compra de uma camisa. Estamos fazendo um planejamento para isso. Vamos fazer no Campeonato Paulista uma série de ações, entre elas mandar uma carreta com todos nossos troféus para cidades do interior paulista”, afirma a empresária.

Como cartola, ela pretende levantar a bandeira do fair-play financeiro. “É impossível clubes numa ótima situação, e outros quebrados. Tudo isso reflete na modalidade em geral”, diz a empresária, que promete uma gestão prudente com o teto de gasto no Palmeiras.

Questionada sobre o futebol feminino do Palmeiras, por exemplo, a dona da Crefisa diz que é preciso viabilizar a modalidade com a busca de novas receitas e patrocínios.

Crente de que terá o carinho da torcida, agora, como presidente, Leila só fechou a cara e arrematou com uma resposta curta uma única pergunta, feita pela Folha de S.Paulo nesta quinta. Se ela pretende reestabelecer a relação com Paulo Nobre, presidente que firmou a parceria entre Palmeiras e Crefisa. A relação, porém, degringolou depois da conquista do Campeonato Brasileiro de 2016.

“Paulo Nobre, eu não tenho nada para falar, falar de quem não tenho contato há cincos anos e meio”, afirma a palmeirense.

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