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O presidenciável Sergio Moro (Podemos) disse nesta quinta-feira (9), em entrevista à Rádio Tupi, que preferiu ser alvo dos ataques do presidente Jair Bolsonaro (PL) e de seus apoiadores do que ser “cúmplice” do governo federal ao deixar o cargo de ministro da Justiça, em abril de 2020.

Moro deixou o cargo de ministro da Justiça em 2020 após o presidente decidir exonerar o então diretor-geral da PF (Polícia Federal) Maurício Valeixo, profissional de confiança do ex-juiz. À época, Moro disse que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. Segundo a colunista do UOL Carla Araújo, Bolsonaro prestou depoimento no início de novembro e negou qualquer interferência no órgão.

O ex-juiz da Operação Lava Jato explicou que percebeu “progressivamente” que o presidente não apoiava suas pautas quando estava no Ministério da Justiça e classificou a atitude de Bolsonaro como uma “sabotagem” ao seu trabalho.

Como exemplo da acusação de “sabotagem”, Moro citou que Bolsonaro sancionou a lei do pacote anticrime em 2019 mesmo após o seu pedido para vetar todo o texto.

Segundo Moro, o texto original da lei — feita pelo ex-juiz — era o ideal, mas as modificações do projeto ao passar na Câmara afetaram demais às medidas previstas “que prejudicavam o combate à corrupção” e, por isso, queria o veto completo do texto, o que não foi concedido pelo mandatário.

‘ORGULHO DE NÃO PROTEGER O PRESIDENTE’

Moro afirmou também ter “orgulho” de não ter protegido o presidente e membros do governo de investigações da PF (Polícia Federal), Receita Federal e do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).

A fala de Moro foi uma reação à declaração do chefe do Executivo ontem que assumiu que esperava uma interferência do seu ex-ministro da Justiça em órgãos de investigação.

“Esse cara não fez absolutamente nada para que Coaf e Receita não bisbilhotassem minha vida e dos brasileiros”, declarou o atual mandatário em entrevista à Gazeta do Povo. “Pode investigar o presidente? Pode, mas legalmente”, emendou.

O presidenciável ainda disse que hoje sabe que o chefe do Executivo queria que o Coaf voltasse para o Ministério da Economia em vez de permanecer no Ministério da Justiça — como Moro defendia. Antes do governo Bolsonaro, o Conselho era do Ministério da Economia, mas passou a ser da Justiça após Moro solicitar a mudança como critério para assumir a pasta.

Em maio de 2019, a transferência do Coaf para a Economia foi aprovada na Câmara. Em dezembro do mesmo ano, o Senado aprovou a MP (Medida Provisória), proposta pelo governo, que transferia o Coaf da Economia para o Banco Central do Brasil e, em janeiro de 2020, o texto foi sancionado, sem vetos, por Bolsonaro.

O Coaf, criado em 1998, tem a atribuição de monitorar as atividades financeiras e de produzir informações para prevenir e combater a lavagem de dinheiro ou ocultação de bens, direitos e valores, aplicando penas administrativas a entidades do sistema financeiro que não enviarem os dados necessários para esse trabalho de inteligência.

“Agora a gente sabe que o próprio presidente queria que o Coaf fosse para o Ministério da Economia e sabotou o Ministério da Justiça. Hoje mesmo ele fala que ele ficou desapontado comigo porque eu não agi para proteger os filhos dele da investigação da Receita e do Coaf. Como é que eu vou fazer isso? Olhar na cara dos brasileiros e estar protegendo o presidente da República de investigação, protegendo quem fez coisa errada. Eu jamais ia fazer isso”, completou o ex-juiz.

Da redação/ Com Folhapress

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