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A jornalista Clarissa Oliveira relatou a preocupação de Lula com o sangramento veloz de Jair Bolsonaro e explicou o motivo:

“Algum tempo atrás, o núcleo central da campanha de Lula se reuniu para definir a estratégia a ser conduzida até a virada para o ano eleitoral. Estavam ali os integrantes daquele grupo apelidado pelos próprios petistas de ‘República dos Compadres’, por contar com nomes que há muitos anos militam ao lado de Lula e com os quais o ex-presidente mantém uma profunda relação de amizade.

Naquele momento, a equipe do ex-presidente concordou que o melhor plano era blindá-lo de uma exposição excessiva, concentrando a agenda em viagens ao exterior e entrevistas a veículos simpáticos a sua candidatura. Também ficou acertado naquele encontro que era preciso centrar críticas e ataques em Bolsonaro. Mas com um cuidado: não deixar que Bolsonaro caísse demais nas pesquisas.

O PT entende que o melhor cenário é o da polarização com Bolsonaro que é um adversário conhecido, que serve de opositor a Lula e que está no exercício da Presidência, portanto, muito mais exposto os demais concorrentes. Se Bolsonaro derrete já na largada, Lula pode ter pela frente muito mais dificuldade em sustentar esse favoritismo. E custará a conquistar o voto daqueles eleitores que não votariam no PT, a não ser para tirar Bolsonaro do poder.”

Lula lidera com folga todas as pesquisas eleitorais divulgadas até o momento, e pode vencer a eleição presidencial já no primeiro turno, em 2022, de acordo com os números das dezenas de sondagens de diversos intitutos de pesquisas. Mas Lula está preocupado. Só ingênuos podem acreditar que Lula e a sua turma quiseram, em algum momento, derrubar Jair Bolsonaro. Lula tem em Jair Bolsonaro o adversário ideal, por ele encarnar, aos olhos da patuleia, o polo oposto ao chefão petista — e vice-versa. Mantê-lo sangrando até o fim do mandato sempre foi aspecto central na estratégia petista. A questão é que, segundo as pesquisas, Jair Bolsonaro está sangrando rápido demais.

É de se presumir, portanto, que Lula e o seu partido baixem um pouco o tom contra Jair Bolsonaro e centrem fogo em Sergio Moro, que está tirando votos do presidente da República e, se chegar ao segundo turno, caso haja um, conquistará o voto dos eleitores que votariam com o nariz tampado no PT, apenas para despachar Jair Bolsonaro do Palácio do Planalto. Com Sergio Moro, o antipetismo deverá ganhar fôlego em eventual segundo turno. Perigoso. Porque Jair Bolsonaro pode perder o lugar para o ex-juiz da Lava Jato como adversário de Lula, se houver outra votação, é que o chefão petista e seus auxiliares, dentro e fora da partido, farão de tudo para liquidar a fatura no primeiro turno.

Em política, não importam os atores, a velocidade das quedas e subidas pode definir uma eleição. Quando Eduardo Leite estava à frente de João Doria na preferência do tucanato, um cacique experiente me disse que o governador gaúcho havia “subido rápido demais” nas intenções de voto nas prévias do PSDB. Que o ideal teria sido uma ascensão mais gradual. “Como Eduardo Leite subiu rápido, João Doria ganhou tempo para tentar reverter o prejuízo”, afirmou o cacique. Dito e feito: o governador paulista ganhou a parada.

Lula é profissional e, assim, não é para amadores.

* Osni Sá é Multimidia, empresário e consultor politico.

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