Alguns partidos já estão se mobilizando para atrair Sergio Moro, ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro, para que ele dispute a eleição presidencial de 2022. A ideia é usar a imagem dele associada ao enfrentamento à corrupção, assim como o presidente Jair Bolsonaro fez.

O Podemos é uma das legendas que admite que gostaria de ter o ex-juiz da Lava jato como candidato em 2022.

“Moro personifica o combate à corrupção, não tem uma vírgula para falar da honestidade dele. E o Brasil carece de pessoas honestas. Vimos agora quanto dinheiro destinado para a saúde durante a pandemia e escândalos de desvios de recursos. A desonestidade custa vidas. E Moro não se curvou ao poder”, diz a presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (SP).

Deputada Renata Abreu
Presidente do Podemos, deputada Renata Abreu (Foto: Najara Araújo/ Câmara dos Deputados)

A parlamentar não acredita que o processo de suspeição movido pelo ex-presidente Lula contra Sérgio Moro, no caso do triplex do Guarujá, vá prejudicar a imagem do ex-juiz. “Ele vai sair ainda mais fortalecido. Moro prendeu Lula e Bolsonaro mandou soltar”, afirma.

Além disso, Moro também foi bastante criticado ao virar sócio de uma consultoria norte-americana que tem como clientes empresas envolvidas na Operação Lava-Jato.

 

Renata Abreu destaca, no entanto, que a decisão de disputar a sucessão presidencial no ano que vem será do ex-ministro da Justiça. Mas acrescenta que, neste momento, “todos os possíveis candidatos conversam com vários partidos”.

Segundo ela, o objetivo é garantir a união em 2022. Por isso, o partido mantém ainda diálogo com outros nomes e estuda outras alternativas, como o senador Álvaro Dias (Podemos-PR), candidato a presidente em 2018, o apresentador Luciano Huck, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB) e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB).

“Buscamos uma união em torno de um projeto de país, que dê fim à guerra de extremos e represente a vitória do equilíbrio”, afirma.

Nesse sentido, a deputada ressalta que não existe a menor possibilidade de apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro à reeleição. “Extremos não são opção”.

Na avaliação da presidente do Podemos, ainda é cedo para saber qual será o tema central na próxima eleição, e a própria pandemia do coronavírus pode não ter tanto impacto na disputa. “Se a pandemia for cessada neste ano, com a retomada da economia, o país pode entrar em outro clima, e a pauta pode ser outra”, analisa.

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