O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, e o ministro Paulo Guedes (Economia), nesta sexta-feira, para discutir sobre propostas para conter o preço dos combustíveis. A informação de Brasília é que as conversas devem continuar no fim de semana. Não custa torcer por um milagre.

O encontro torna evidente que o presidente da República está muito incomodado com os preços dos combustíveis. Certamente percebeu que está provocando impactos mais danosos em sua popularidade com reflexos previsíveis nas eleições.

Embora ainda tenha insistido em tentar transferir parte da culpa aos governadores, inclusive, com o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, que tem defendido a aprovação da incidência de um valor fixo do ICMS sobre os combustíveis e não de um percentual como é atualmente, deve ter percebido que a estratégia não colou.

Não existe a transparência necessária sobre a Petrobrás, apesar de a população a considerar uma empresa do povo brasileiro. Com razão. Apesar de ser uma empresa de economia mista, o governo brasileiro, ou seja, toda a sociedade, tem 37% do capital da Petrobras, mas centenas de brasileiros também possuem ações da empresa, o que, de certa forma, a torna uma empresa nacional. Seria justo que houvesse mais transparência.

O problema talvez seja que os números da Petrobras podem levar a sociedade a ser mais exigente e cobrar do governo uma gestão mais benéfica à população.

Alguns números revelados por William Nozaki e Eduardo Costa Pinto, o primeiro coordenador técnico do Ineep (Instituto de Estudos Estratégico de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) e o outro professor da Fundação da Escola de Sociologia de Política de São Paulo, num artigo publicado na folha na última segunda-feira (27/09), são chocantes.

“Desde 2019 até o primeiro semestre de 2021, a Petrobras teve um lucro líquido de R$91 bilhões e distribuiu R$56,5 bilhões em dividendos para seus acionistas, dos quais R$41,9 bilhões só este ano (do artigo citado)”.

A parte do governo federal no montante distribuído em 2021 foi de R$15 bilhões.

Os economistas e o governo vão dizer que não é bem assim, mas não dá para entender o porquê da opção por tanto lucro e uma política de preços tão draconiana para o povo.

Segundo o artigo já referido, “desde 2019, a política de preços de paridade de importação (PPI) provocou 94 alterações no preço do diesel e 107 no preço da gasolina”. O diesel acumulou alta de mais de 25%, a gasolina de mais de 50% e o GLP de mais de 85%.

A Petrobras tem como baixar o preço dos combustíveis. O discurso do governo é lorota.

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