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A Organização Mundial da Saúde (OMS) desaconselhou viajar para pessoas do grupo de risco, mas estimou que as proibições de viagens impostas pelos países “não impedirão” a disseminação da nova variante ômicron do coronavírus, nesta terça-feira (30).

“Proibições gerais de viagens não impedirão a propagação internacional” dessa mutação, estimou a OMS em documento técnico, embora recomendasse “às pessoas que não estão bem de saúde ou que correm o risco de desenvolver uma forma grave” de Covid-19 a “adiar a viagem”.

Diante dos temores suscitados pela nova cepa, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu “calma” e instou os Estados-membros a responderem “de maneira racional” e “proporcional”.

Tedros disse compreender “a preocupação de todos os países por proteger seus cidadãos”, mas expressou preocupação com o fato de várias nações implantarem “medidas gerais e brutais que não são fundamentadas em evidências, nem são eficazes por conta própria, e que apenas agravarão as desigualdades”.

Desde que a África do Sul sinalizou o surgimento dessa nova variante na semana passada, muitos países fecharam suas fronteiras para pessoas do sul do continente africano, gerando indignação na região.

Essas medidas “podem ter um impacto negativo sobre os esforços globais de saúde durante uma pandemia, desencorajando os países a relatar e compartilhar dados epidemiológicos e de sequenciamento”, advertiu a OMS.

“Redução importante”

Em um contexto de dúvidas sobre como combater a nova variante, o presidente do laboratório americano Moderna, Stephan Bancel, assinalou que poderia acontecer uma “redução importante” da eficácia das vacinas atuais contra a variante ômicron.

“Todos os cientistas com quem conversei […] sentem que ‘isso não será bom'”, declarou Bancel em declarações ao jornal Financial Times.

Vários laboratórios, como Moderna, Pfizer, AstraZeneca, Novavax e Johnson & Johnson (J&J) estão trabalhando em novas versões da vacina anticovid específicas contra a nova cepa.

Quando se chegar ao imunizante adaptado contra esta variante, a agência reguladora europeia de medicamentos (EMA, na sigla em inglês) poderia autorizá-lo em um prazo de três ou quatro meses, disse a diretora do órgão, Emer Cooke.

Até a data de hoje, a pandemia de Covid-19 já deixou ao menos 5,2 milhões de mortos desde o seu surgimento na China no fim de 2019, segundo um balanço estabelecido pela AFP nesta terça-feira.

As máscaras retornam

A OMS classificou a ômicron como “preocupante” e advertiu que representa “um risco muito elevado” para o mundo.

A descoberta da nova variante, detectada inicialmente na África do Sul, foi notificada à OMS em 24 de novembro, mas, nesta terça-feira, as autoridades holandesas anunciaram que a ômicron já tinha chegado à Holanda em 19 de novembro, uma semana antes do que se pensava.

Até agora, pensava-se que os primeiros casos da ômicron na Holanda eram os 14 que testaram positivo e chegaram a Amsterdã em dois voos procedentes da África do Sul no dia 26 de novembro.

A cepa já foi detectada em numerosos países de todo o mundo e levou grande parte deles a restabelecer restrições de viagem, mas também a reforçar medidas em nível doméstico.

Assim, a partir desta terça, os britânicos deverão usar máscara obrigatoriamente no transporte público e no comércio. Além disso, o Reino Unido, onde a Covid-19 já deixou cerca de 145.000 mortos, endureceu as medidas para entrada no país.

Uma decisão semelhante foi tomada pelo Japão, que detectou nesta terça-feira o primeiro caso de ômicron em seu território, em um homem de entre 30 e 40 anos que veio da Namíbia. Na segunda-feira (29), o governo japonês anunciou restrições fronteiriças e vetou a entrada a todos os estrangeiros que não sejam residentes no país.

O governo da Espanha, por sua vez, anunciou nesta terça que suspenderá os voos procedentes de vários países da África Austral a partir de quinta-feira (2) até 15 de dezembro, para “limitar a propagação” da variante.

Na França, que detectou nesta terça o primeiro caso na ilha da Reunião, um departamento ultramarino situado no Oceano Índico, as autoridades sanitárias recomendaram a vacinação de crianças com entre 5 e 11 anos que apresentem risco de uma forma grave de Covid-19.

Já na Alemanha, que enfrenta há algumas semanas uma virulenta onda de contágios, o Parlamento se pronunciará sobre a obrigatoriedade da vacina de agora até o fim do ano, anunciou o futuro chanceler Olaf Scholz, depois de se posicionar favoravelmente à medida.

Por outro lado, na Suécia, onde poucas medidas coercitivas foram impostas desde o início da pandemia, as autoridades disseram que continuariam seguindo a mesma estratégia.

“Injusta e imoral”

Nenhuma variante da Covid-19 havia provocado tanta preocupação desde o surgimento da delta, que atualmente é a dominante e é bastante contagiosa. Porém, a ômicron ainda não provocou nenhuma morte, pelo menos segundo os números oficiais.

Para enfrentar esse novo combate contra a pandemia, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, reforçou nesta terça-feira seu apelo para enviar mais vacinas aos países pobres. “Somente um plano de vacinação global pode acabar com uma pandemia global e uma situação injusta e imoral”, afirmou.

Outra solução poderia ser a pílula anticovid do laboratório americano Merck. Um comitê científico se reúne nesta terça-feira nos Estados Unidos para se pronunciar sobre a alternativa, que poderá estar rapidamente disponível caso seja aprovada.

 

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