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O presidente Jair Bolsonaro se posicionou nesta sexta-feira (31) contra a adoção de passaporte vacinal no país e defendeu prescrição médica para a imunização de crianças com vacinas contra a Covid-19. Para especialistas, exigir o comprovante e facilitar a vacinação de crianças de 5 a 11 anos são medidas necessárias para o enfrentamento da pandemia.

O presidente também fez um balanço dos três anos de governo; distorceu e omitiu informações sobre sua gestão, iniciada em 2019.

Bolsonaro deu as declarações durante pronunciamento, de cerca de seis minutos, em rede nacional de rádio e TV na noite desta sexta. O discurso foi gravado por Bolsonaro antes da viagem para Santa Catarina, onde ele está de folga neste final de ano.

Durante a exibição do pronunciamento, panelaços contra o presidente da República foram registrados em capitais brasileiras, como Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro.

“Não apoiamos o passaporte vacinal, nem qualquer restrição àqueles que não desejam se vacinar. Também, como anunciado pelo ministro da Saúde, defendemos que as vacinas para as crianças entre 5 e 11 anos sejam aplicadas somente com o consentimento dos pais e prescrição médica. A liberdade tem que ser respeitada”, afirmou o presidente no discurso.

Vários países no mundo adotam o passaporte vacinal como medida de combate à pandemia. Diferentemente de outras lideranças políticas, Bolsonaro já afirmou que não tomará a vacina. Ele também declarou que não imunizará a filha de 11 anos de idade.

Alvo de investigação sobre suposta prevaricação na negociação da vacina Covaxin, o presidente afirmou na mensagem de fim de ano que não há corrupção no governo.

“Completamos três anos de governo sem corrupção. Já concluímos, com menor custo, centenas de obras paradas há vários anos”, disse Bolsonaro.

O presidente também disse que durante o seu mandato o governo federal começou novas obras e concluiu outras que estavam inacabadas. Bolsonaro citou a transposição do rio São Francisco como exemplo – mas não mencionou que, quando assumiu, mais de 90% da obra já estava concluída e que vários trechos já tinham sido inaugurados em governos anteriores.

Bolsonaro também voltou a criticar prefeitos e governadores, responsabilizando-os pela crise econômica por causa da política adotada para combater a pandemia de Covid-19. A adoção de lockdown era recomendada por infectologistas e autoridades sanitárias para se retardar o crescimento da pandemia e atenuar a superlotação de hospitais.

Ele também afirmou que o governo federal destinou bilhões de reais para que estados e municípios enfrentassem a situação, citou a criação de programas para a preservação de 11 milhões de empregos e o pagamento do auxílio emergencial a 68 milhões de pessoas.

No entanto, o presidente Bolsonaro não disse que os programas foram aprovados pelo Congresso Nacional e que, no caso da criação do auxílio emergencial, o valor aprovado pelos parlamentares foi maior que o proposto inicialmente pela equipe econômica do governo.

Bolsonaro declarou ainda que o Brasil termina 2021 com saldo de três milhões de novos empregos e cinco milhões de empresas abertas. O presidente não citou que, nesta semana, o levantamento do IBGE mostra que apesar da criação de novos empregos, quase 13 milhões de brasileiros ainda estão desempregados.

Destacou que começou a pagar o Auxílio Brasil – programa que substituiu o Bolsa Família – e que cada família receberá, no mínimo R$ 400.

Bolsonaro sancionou na última quinta-feira (30) a lei que cria o Auxílio Brasil, mas vetou trecho que previa inclusão obrigatória de todas as famílias que cumprissem os requisitos do programa. Especialistas consideraram que ficará mais difícil alcançar o objetivo de contemplar as 17 milhões de famílias que o governo prometeu atender.

O presidente Bolsonaro citou ainda a tragédia provocada pelas chuvas na Bahia e em Minas Gerais e disse que, desde o primeiro momento, pediu a ministros que ajudassem os municípios atingidos. O presidente está de férias em Santa Catarina e vem sendo criticado por não ter participado diretamente das ações do governo para enfrentamento da situação.

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