Um mês mais distante a decisão – transferida de outubro para novembro – seguem de pé as chances de se concretizar a candidatura, à presidência da República em 2022, do ex-juiz federal, Sérgio Moro, condutor da Lava Jato (a mais importante operação de investigação, julgamento e punição de corruptos e corruptores País). Na sua recente passagem pelo Brasil – agora ele mora e trabalha nos Estados Unidos – o ex-ministro da Justiça participou de reunião com a cúpula do Podemos, em Curitiba, jantou com o governador João Dória JR. (PSDB-SP) e ex-ministro da Saúde, Luiz Mandetta, conversou com lideranças sociais do MBL, e informou que, por motivos éticos, irá cumprir o contrato, que termina esse mês, com a empresa Alvarez e Marsal, à qual presta consultoria, antes de anunciar se será candidato ao Palácio do Planalto.

Segue, portanto, a possibilidade de efetivação, – a deduzir pelas manifestações de entusiasmo de Moro (segundo fontes próximas a ele, a exemplo do senado Álvaro Dias), – da opção desejável – pelo que indica pesquisa do Podemos que lhe foi apresentada esta semana. Os dados sinalizam a favor de uma candidatura de centro democrático (ou terceira via), que indica Moro como nome preferido para se interpor com igual intensidade e apelo político e eleitoral, contra a tendência de polarização entre o atual dono do poder, Jair Bolsonaro, à “direita”. e o ex, Lula, à “esquerda”.

O resto, ficou claro nos encontros, é a disponibilidade do ex-magistrado para “meter o pé na estrada, comer poeira e melar os sapatos na lama, no sertão mais profundo” (no dizer do nordestino da beira do rio São Francisco), em campanha, tão essencial quanto desgastante pelo voto, mas tonificante para o candidato e para o País. Até novembro é o tempo que o ex- juiz da Lava Jato – que segue causando calafrios em muita gente graúda, com malfeitos e contas a acertar com a polícia e a justiça – acredita necessário para ter um programa básico de governo para apresentar, além de empunhar a bandeira anticorrupção, que deverá ser um dos motes da sua campanha. É o tempo também de que &n bsp;Moro precisa para colocar o ponto final no livro que está escrevendo, sobre bastidores da sua trajetória profissional, que ele espera lançar em breve. Nada melhor que um livro polêmico – recheado de verdades incômodas, para governantes farsantes e políticos desonestos e oportunistas, – para esquentar e impulsionar uma campanha majoritária.

Mas o que motivou o ex-juiz, nesta vinda ao Brasil, foram os dados da pesquisa de qualidade que recebeu na reunião com a cúpula do Podemos, em Curitiba. Pela pesquisa de imagem Moro-Lula-Bolsonaro, o ex-juiz contaria, hoje, com a simpatia de 31% do eleitorado, e seria rejeitado por 28%. Outros 41% se declararam neutros. Bolsonaro é rejeitado por 65% dos entrevistados, e Lula por 48%. No levantamento também foi medida a migração de votos do atual mandatário para seu ex-ministro da Justiça, o que daria a Moro entre 10 a 12% do eleitorado bolsonarista, em eventual segundo turno com Lula.

Moro ficou contente – e a cúpula do Podemos também – com os números da pesquisa. Mas ele ainda vai conversar com a família e amigos confiáveis, para pesar os riscos da volta ao País para uma dura campanha presidencial. Foi aconselhado, pelos mais apressados, a não protelar demais a decisão, sob pena de perder espaço, tempo e oportunidade, e demonstrar fraqueza. O resto a conferir.

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