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O presidente Jair Bolsonaro (PL) negou que tenha comemorado a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como afirmou mais cedo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos). Bolsonaro também fez uma série de críticas a Moro, a quem acusou de mentir e xingou de “sem caráter”.

“A última notícia dele [Moro] é que ‘Bolsonaro comemorou quando Lula foi solto, diz Moro’. É um vídeo, e ele fala ‘ouvi dizer’. É um papel de palhaço, um cara sem caráter”, disse o presidente durante sua live semanal. “Agora ele vai me acusar disso, que comemorei. ‘Ouvia no Palácio do Planalto que ele comemorou porque era bom politicamente para ele’. Tá de brincadeira. Mentiroso deslavado!”

 

 

Esse cara [Moro] está mentindo descaradamente. O cara quer ser candidato, é um direito dele, mas em vez de ele mostrar o que fez, fica só apontando o dedo para os outros e mentindo. (…) Não estou preocupado com ele, não. Se ele se candidatar, o povo vai saber se ele merece ou não o voto. Agora, ficar fazendo campanha na base da mentira… Aprendeu rápido, Sergio Moro. Aprendeu a velha política.
Jair Bolsonaro, durante live

A declaração de Moro rechaçada por Bolsonaro foi feita hoje em entrevista à Jovem Pan Paraná. Segundo o ex-juiz, o presidente teria comemorado quando Lula foi solto, em 2019, após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) que pôs fim à prisão de condenados em segunda instância.

“O presidente não fez nada [para reverter a decisão do STF]. E, na verdade, o que a gente sabia é que o Planalto… O presidente comemorou quando o Lula foi solto em 2019 porque ele entendia que aquilo o beneficiava literalmente. Então ele não trabalhou para manter a execução em segunda instância”, afirmou Moro.

Durante a live, Bolsonaro também rebateu a acusação de que não teria apoiado a manutenção da possibilidade de prisão após condenação em segunda instância, dizendo que quem tinha que trabalhar nesta questão era Moro, não ele.

“Ele [Moro] sai atirando, falando que não apoiei para aprovar a [prisão após condenação em] segunda instância. É ele que tem que trabalhar, não eu. Ele apresenta um projeto de lei para regulamentar um inciso do artigo 5º da Constituição e diz que eu tinha que me empenhar? Quem tinha que se empenhar era ele”, disparou.

Jair Bolsonaro ainda voltou a dizer que Sergio Moro condicionou a indicação de um novo diretor-geral da Polícia Federal — atribuição do presidente da República — a uma indicação para ser ministro do STF. O presidente já havia feito a mesma acusação no início de novembro, em depoimento, no âmbito do inquérito que investiga se ele tentou interferir na PF.

“[Moro] Saiu do governo pelas portas dos fundos, traindo a gente, querendo trocar o chefe da PF com sua indicação ao Supremo. ‘Você me indica para o Supremo, daí troca o diretor-geral’. Está em lei, o diretor-geral é atribuição minha trocar, não é nem o ministro. Mas mesmo assim deixei nomear o senhor Valeixo”, disse Bolsonaro.

No depoimento à PF, como publicado pela colunista do UOL Carla Araújo, o presidente negou qualquer ingerência no órgão, mas confirmou que em meados de 2019 pediu a Moro que trocasse o então diretor-geral, Maurício Valeixo. A mudança, segundo Bolsonaro, era motivada pela “falta de interlocução que havia entre o presidente da República e o diretor da PF”.

Ele também confirmou que sugeriu a Moro a nomeação de Alexandre Ramagem para o cargo, “em razão de sua competência e confiança construída ao longo do trabalho de segurança pessoal”, durante a campanha eleitoral de 2018. À PF, Bolsonaro disse que o ex-juiz concordou com a indicação, “desde que ocorresse após a indicação (…) à vaga no STF”.

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